Refém e policial são mortos em busca de cativeiro

Investigadores paranaenses trocaram tiros com integrante da Brigada Militar do RS; mais tarde, na invasão ao cárcere privado, vítima foi morta

ELDER OGLIARI, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2011 | 03h04

Agentes da Polícia Civil paranaense mataram um sargento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul enquanto buscavam sequestradores em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre. Além disso, eles acompanharam uma operação de seus colegas gaúchos que resultou na morte de um fazendeiro mantido em cárcere privado.

A busca pelos sequestradores feita pelos paranaenses não havia sido comunicada à Secretaria de Segurança gaúcha. Por isso, a ação gerou um mal-estar entre autoridades dos dois Estados. Agentes do Rio Grande do Sul lembraram que operações fora da jurisdição devem ser notificadas à polícia local, enquanto o governador Tarso Genro (PT) chegou a qualificar a ação como "ilegal" e "irresponsável".

Em nota, o Departamento da Polícia Civil do Paraná afirmou que a equipe de investigadores que havia se deslocado na noite anterior iria avisar o Departamento Estadual de Investigações Criminais do Rio Grande do Sul ao amanhecer.

Falhas. A sequência de operações desastradas começou nas primeiras horas da madrugada, em um tiroteio entre policiais do Grupo Tático Integrado de Grupos de Repressão (Tigre) e o policial militar Ariel da Silva, de 40 anos. Os agentes paranaenses investigavam um sequestro e circulavam em veículo discreto, sem identificação, buscando a localização do cativeiro.

Na versão que contaram à Polícia Civil gaúcha, os paranaenses disseram que foram abordados por Silva, que estava em uma moto, e reagiram aos disparos feitos pelo policial militar, que não estava usando farda por estar em horário de folga.

Os policiais contaram que, ao perceber que o homem havia sido atingido, acionaram serviços de socorro e se apresentaram a uma delegacia local. Lá, segundo eles, souberam que a vítima dos disparos era um sargento da Brigada Militar.

Depois de prestar depoimento à polícia gaúcha, voltaram a Curitiba, onde ficaram à disposição da Justiça. O Departamento de Polícia Civil do Paraná lamentou o episódio, que qualificou como "fatalidade".

Tiroteio. À tarde, a Polícia Civil gaúcha assumiu as buscas pelo cativeiro, mas foi acompanhada de outros investigadores do Paraná. Uma casa no centro de Gravataí foi identificada como sendo o lugar onde as vítimas eram mantidas e o local foi cercado pelos policiais.

Durante a invasão ao cativeiro, houve tiroteio entre os agentes e os sequestradores. Na troca de tiros, um dos sequestrados morreu: o empresário e fazendeiro Lírio Poerjio, da cidade de Quatro Pontes, no interior paranaense, a cerca de 600 quilômetros de Curitiba. O empresário Osmar José Finkler, amigo de Poerjio e também vítima dos sequestradores, foi baleado, mas socorrido.

Três sequestradores, dois gaúchos e um paranaense, foram presos. A Polícia Civil do Paraná informou no início da noite que não teve participação direta na ação que resultou na morte de um dos reféns.

A Polícia Civil gaúcha revelou que os dois reféns foram atraídos ao Rio Grande do Sul pela oferta de uma colheitadeira a preço vantajoso mas, ao chegar, acabaram sequestrados pelos supostos vendedores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.