Refém de líder do PCC relembra momentos de horror

Na casa onde os bandidos se esconderam no Tremembé, marcas de balas, móveis quebrados e sangue

Vitor Sorano, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2008 | 10h50

Um dia após viver momentos de pânico sob a mira de assaltantes a banco do Primeiro Comando da Capital (PCC), Alzira Santos da Silva, de 61 anos, tentou ontem impedir que as lembranças do seqüestro atrapalhassem o preparo do almoço e as reformas que toca na casa. Na frente da imprensa, pela manhã, mostrou-se forte. Quando a movimentação diminuiu, ela se permitiu chorar, uma única vez, e paralisar as tarefas. No dia anterior, Alzira, a neta M., de 8 anos, Kelly, de 17, e Jéssica, de 24, funcionárias de um pequeno ateliê de costura, passaram três horas de terror.  Os moradores do número 154 da Rua Alberto Pierrotti, no Tremembé, zona norte, removeram os vestígios da morte de Carlos Antônio da Silva, o Balengo, de 30 anos - maior líder do PCC em liberdade. "Tivemos de lavar com mangueira. Tinha muito sangue", conta o genro de Alzira. Balengo invadiu a casa acompanhado de Elielton Aparecido da Silva, de 32 anos.  Alzira, nesse momento, abria o portão para as funcionárias. "Ele estava sangrando muito e ficou deitado no sofá. Quando fui pedir socorro pelo telefone, ele caiu no chão e acabou de morrer", conta a costureira. Segundo uma de suas filhas, o corpo só foi retirado do local por volta da 1 hora de ontem - o seqüestro acabou antes das 18 horas de anteontem.  Elielton levou as três reféns para a oficina, no piso superior. "Ele (Balengo), eu acho que estava com muita dor, pois se sentou na escada. Aí, foi para minha cozinha", contou Alzira. "O outro (Elielton) me segurou na mão, dizendo ‘vai lá, cuida do meu chefe’, e me trancou para fora (da oficina)", disse.  Dormindo A criança dormia no quarto quando o bandido subiu com as duas jovens. Ela foi mantida em um canto com Jéssica, enquanto Kelly foi levada para a janela, de onde Elielton trocou tiros e negociou sua rendição. O quarto, que M. divide com a mãe e uma irmã de 13 anos, tem pelo menos 12 furos de balas. "A Kelly me contou que ele (Elielton) arrancou duas portas do armário para usar como escudo", contou a mãe da criança - e filha de Alzira -, que não quis se identificar. Segundo ela, os bandidos não maltrataram as reféns. Alzira disse não se lembrar de ter visto o soldado Ailton Tadeu Lamas, de 44 anos, morto no tiroteio. Ela foi a primeira refém a ser liberada. A neta M., de 8 anos, Kelly e Jéssica continuaram encarceradas. Depois, Elielton se entregou. Kelly, que trabalha na oficina, estava na casa ontem pela manhã, mas não quis dar entrevista. Jéssica, segundo a mãe de M., estava na casa do namorado e também não quis falar.

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