Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Reduto da boemia, a lapa se abre ao estilo playboy

Boate, loja de sucos e bar - todos com decoração caprichada - são três dos empreendimentos recém-abertos na região para receber público da zona sul

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2010 | 00h00

Garoto da Barra da Tijuca, Rafael Couri tem 30 anos e é herdeiro de um tradicional motel da região. Leonardo Bettamio tem 40, nasceu no Leblon, mora em Ipanema e é sócio de uma rede de supermercados. Em comum, os dois empresários têm a meta de atrair para a noite da Lapa o público "classe A da zona sul", que, eles acreditam, evitam o mais antigo reduto da boemia carioca porque torcem o nariz para o estilo despojado de seus bares e casas de samba.

Aberta neste mês em um sobrado centenário da Rua dos Inválidos, a boate Tipsy, estreia do designer de interiores Couri no ramo, tem na fachada as características marcantes da região edificada na virada para o século 20, degradada por décadas e revitalizada há cerca de dez anos, ao som dos violões e cavaquinhos dos sambistas. Do lado de dentro, ele manteve um traço recorrente na arquitetura local: a parede de tijolos aparentes.

O estilo Lapa para por aí. Logo na entrada, vê-se um lustre de cristal. No bar, recoberto por pastilhas espelhadas, garrafas de champanhe, incluindo os Chandon Baby Disco Rosé, de 187 mililitros, que saem a R$ 25 (a de água Perrier custa R$ 6; a cerveja, R$ 15). Diante dele, um aquário com 17 carpas.

No segundo andar, o teto tem pontos de LED que imitam uma noite estrelada - a intenção é que as festas durem até a luz do sol entrar - e nove monitores do tipo LCD alinham-se em uma parede. Subindo ao mezanino, chega-se aos camarotes, cada um com sua geladeira própria cheinha do energético Red Bull.

Las Vegas. Na véspera da abertura, quando a reportagem visitou a boate, as paredes do primeiro andar ainda eram rosa pink. Em seguida, foram pintadas de dourado. "Não era chique o suficiente", justifica o dono. "É para ser sofisticado. Não gosto de samba, ouço eletrônico, hip hop... Minha inspiração é Las Vegas." No início do mês, para a festa de lançamento só para convidados, com champanhe e uísque liberados, ele atraiu um grupo grande de atores da TV Globo - o DJ foi Bruno Gagliasso.

Um diferencial que Couri quer imprimir é o serviço, por vezes falho na Lapa por conta do alto movimento.

O ponto também é considerado crucial por Bettamio, que abre nos próximos dias dois empreendimentos na Rua Mem de Sá, coladinhos aos Arcos e perto do também novo Bar da Boa. Um é a lanchonete 24 horas Bonde Sucos, com inauguração prevista para segunda-feira, "no estilo zona sul do Bibi Sucos". O outro, o bar Leviano, que deve abrir na semana seguinte com cardápio e drinks, carta de vinhos e cervejas (importadas) e "a maior janela de vidro da Lapa" (no terraço, com vista para marcos como a Catedral Metropolitana e o Circo Voador e palco para shows).

"Não é dessas coisas da Lapa, só sambinha. Vou fazer outro tipo de ambiente, mais sofisticado, confortável, com barman renomado e dar um "upgrade" no nível dos frequentadores. Morei na zona sul a vida toda e a gente sempre se perguntou: "Vamos pra Lapa? Ok, mas vamos voltar rapidinho"", conta Bettamio. "São sempre os mesmos barzinhos, com atendimento péssimo, as mesas apertadas..."

Tendência. No cargo há um ano, Thiago Barcellos, subprefeito do centro e também cria da Barra, acredita que o surgimento de casas mais segmentadas seja uma tendência. "A Lapa está mudando, não é mais abandonada. As pessoas com quem convivo têm se surpreendido positivamente, comentaram que o clima está como o do calçadão, como o da Rua das Pedras, em Búzios", compara Barcellos, referindo-se às ruas do bairro que são fechadas aos veículos às sextas-feiras e aos sábados à noite e ao maior policiamento na região.

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