Redução do ritmo de aquecimento é discutida

Desaceleração do aumento da temperatura global mobilizou atenções em Estocolmo, no primeiro dia de conferência de mudanças climáticas

Andrei Netto, Enviado especial - O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2013 | 02h12

ESTOCOLMO - Pesquisas indicam que 97% dos cientistas que estudam mudanças climáticas no mundo estão convencidos da responsabilidade do homem no aquecimento global. Mas foram os 3% de céticos que pautaram o primeiro dia de debates da 6.ª edição do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), aberta ontem em Estocolmo.

Mais uma vez encurralados por críticas, os experts tiveram de explicar que a redução do ritmo de aquecimento da Terra, de 1998 a 2010, não altera a certeza de que as mudanças climáticas são causadas pelas emissões de gases de efeito estufa.

O chamado "hiato" da curva de aumento da temperatura foi diagnosticado pelos próprios cientistas do Grupo Intergovernamental de Experts sobre a Evolução do Clima (GIEC), que integram o IPCC. Foram eles que incluíram a informação no documento em discussão entre experts e delegados de 195 países em Estocolmo. "A média global de temperatura, combinada com as superfícies de terra e oceano, indica um aumento de 0,89ºC de 1901 a 2012. No período, quase todo o globo tem experimentado o aquecimento da superfície", diz o rascunho do relatório, ao qual o Estado teve acesso.

Um segundo ponto de críticas está no fato de que o IPCC reviu para baixo a estimativa mínima de aquecimento da Terra até 2100. No trecho em que quantifica as respostas dos sistemas climáticos às emissões de gases de efeito estufa, os experts afirmam ser "alto o grau de certeza" que a temperatura da Terra subirá entre 1,5ºC e 4,5ºC até 2100. Esse patamar de base de 1,5ºC é inferior ao estimado há seis anos, quando do relatório anterior do painel. Então, a estimativa era de 2ºC.

Ataque. Apesar dos argumentos, os "negacionistas" - cientistas que negam o aquecimento - vêm usando os dados para atacar o IPCC em países como Austrália, Canadá, Reino Unido e Estados Unidos.

Ao jornal Los Angeles Times, a climatologista Judith Curry, diretora da Escola de Ciências da Terra e da Atmosfera do Instituto de Tecnologia da Geórgia, e até 2001 membro do IPCC, afirmou que o "hiato" seria, na verdade, "a variação natural do clima dominando sobre o impacto humano".

Esse discurso foi refutado com veemência ontem, em Estocolmo. Logo na abertura do evento, o coordenador do IPCC, Rajendra Pachauri, foi taxativo: "As provas científicas das mudanças climáticas se reforçam ano após ano, deixando poucas incertezas, além de graves consequências".

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