Redução de acidentes depende do empenho de toda a sociedade

A redução do número de acidentes com motociclistas entre 2008 e 2009 em São Paulo, segundo dados da CET, deve ser celebrada. Mas há um longo caminho a ser percorrido na direção de um trânsito seguro para o paulistano. Enquanto a educação no trânsito não cumpre o papel primordial na redução duradoura desses índices, cabe reflexão sobre o fenômeno.

Análise: José Montal*, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2010 | 00h00

Em São Paulo, a vulnerabilidade inerente a esse veículo, sem a armadura de aço dos carros, se une à pressa, fator adicional de risco para motoboys. A pressa em ter a pizza quentinha, o documento urgente, o remédio para "ontem". O acidente é efeito colateral dessa ansiedade.

Na Ásia, a moto serve como transporte, e na Europa e EUA, para o lazer. Aqui, facilidades na aquisição e manutenção a tornaram chave para muitos entrarem no mercado de trabalho, principalmente jovens egressos de um sistema educacional ainda precário e que não lhes permite sonhar com maiores voos.

Dirigir seguindo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é essencial para um trânsito seguro. Mas as impressionantes estatísticas brasileiras demonstram que a tarefa exige empenho de toda a sociedade, com o estabelecimento de metas de redução de acidentes e o compromisso de governantes com a segurança no trânsito. Os radares de controle de velocidade e a lei 11.705/2008, a lei seca, certamente contribuem para a redução que a CET anuncia, bem como o uso do capacete, do cinto de segurança e dos assentos de segurança pelas crianças.

O desafio é a sociedade brasileira perceber a importância epidemiológica do trânsito como causa de mortes e de ferimentos graves a custos astronômicos, superiores a R$ 30 bilhões/ano, de 1,5% a 2% do PIB, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e perverso impacto no Sistema Único de Saúde (SUS).

* É MÉDICO DE TRÁFEGO E VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA DE TRÁFEGO (ABRAMET)

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