Redescoberta da Penha multiplica por sete número de lançamentos

Um dos bairros mais antigos da zona leste tem crescimento vertiginoso neste ano e agora encara desafios de infraestrutura

, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2011 | 00h00

Antes tida como bairro-dormitório, a Penha agora é tratada pelas imobiliárias como o "novo Tatuapé" ou "Pinheiros da zona leste". O número de lançamentos subiu sete vezes de 2010 para este ano, e o metro quadrado valorizou 58%, recorde da capital.

Se por um lado isso é extremamente benéfico para o desenvolvimento do bairro - porque atrai novos serviços, lojas, padarias e restaurantes -, por outro o crescimento vertiginoso e sem planejamento se transforma em um enorme problema de infraestrutura urbana.

Não precisa ir muito longe do Shopping Penha, coração do bairro, para notar um estande de vendas recém-montado que anuncia com pompa "o primeiro empreendimento de alto padrão da Penha". É o terraço gourmet indo além do Tatuapé e do Jardim Anália Franco, mais valorizadas da zona leste, e levando consigo os quatro dormitórios com três suítes - divididos em 136 m² - e três vagas na garagem.

Apesar disso, as ruas ainda são estreitas e o transporte público, escasso e congestionado. Os moradores ainda dependem majoritariamente dos serviços dos bairros vizinhos, o que tende a mudar nos próximos anos.

"Os prédios trazem mais comércio, valorizam o terreno. Meu apartamento mesmo já valorizou. Mas também há o trânsito, a poluição, a falta de privacidade", diz a da dona de casa Maria Marta Almeida, de 49 anos, síndica do único prédio da sua rua.

Nos arredores, os primeiros edifícios que já despontam agradam quem vê com bons olhos as mudanças da região. "Acho que a verticalização só tende a deixar o bairro mais bonito. Sem falar na segurança, que é muito maior com prédios por perto", diz a aposentada Leonor Silva, de 70 anos, há 50 na Penha.

Sobrados. Enquanto a verticalização completa não chega, a Penha lança uma moda intermediária: os condomínios-sobrado. "Os terrenos estão caros e não compensa mais construir casa. Nos mais estreitos, a solução é transformar as antigas mansões em sobradinhos conjugados", conta o corretor Alisson Bravo. / NATALY COSTA, RODRIGO BRANCATELLI e RODRIGO BURGARELLI

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