Recuperada última obra roubada da Pinacoteca

'Minotauro, Bebedouro e Mulheres', do espanhol Pablo Picasso, foi levada do museu no dia 12 de julho

Marcelo Godoy, de O Estado de S.Paulo,

19 de agosto de 2008 | 00h29

Pressionados pela polícia, que fez uma operação na Favela de Paraisópolis, os bandidos que mantinham escondida a gravura Minotauro, Bebedor e Mulheres, feita em 1933 pelo pintor Pablo Picasso, resolveram devolvê-la. Um telefonema anônimo avisou os policiais do 34º Distrito Policial, no Morumbi, zona sul de São Paulo, que a obra estava em uma passarela na Rua Jacó Salvador Sveibel, perto do km 13 da Rodovia Raposo Tavares. Isso foi na noite de sexta-feira. "Só revelamos hoje (ontem) porque antes era necessário constatar a autenticidade da obra", disse o delegado André Antiqueira, do 34º DP. Veja também: Galeria com imagens de obras roubadas pelo mundo   Imagens das câmeras de segurança durante o roubo    A gravura de Picasso era uma das quatro obras que assaltantes roubaram da Estação Pinacoteca, em 12 de junho. Além dela, haviam sido levados outra gravura de Picasso (O Pintor e seu Modelo, de 1963) e dois quadros - Mulheres na Janela (1926), de Di Cavalcanti, e Casal (1919), de Lasar Segall. Essas três já haviam sido recuperadas pela Polícia Civil, que procurava a última gravura ainda em poder dos bandidos. Avaliada em US$ 5 mil, Minotauro, Bebedor e Mulheres estava embrulhada em plástico bolha e num papel marrom quando foi encontrada pelos investigadores do 34º DP. "Eles tiveram muito cuidado com a obra", afirmou o delegado. Desde que o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) e a Delegacia Seccional de Guarulhos recuperaram as outras obras, a polícia havia conseguido identificar seis acusados de participar do roubo e esconder as peças. Três deles permanecem foragidos. A pressão dos policiais fez os acusados, que se escondiam na zona leste, procurarem abrigo na favela da zona sul. "Recebemos, na manhã de sexta-feira, a informação de que estavam escondendo em Paraisópolis uma obra roubada de museu", contou o delegado. Equipes da delegacia foram até a favela e fizeram uma operação durante todo o dia para tentar encontrar o esconderijo da quadrilha. Ainda divulgaram no local o telefone da delegacia para quem quisesse passar alguma informação. No começo da noite, a operação foi suspensa. "Quando voltamos à delegacia, o telefone tocou. Um homem que não se identificou disse que a obra que nós procurávamos estava na passarela", disse o delegado. Para ele, os bandidos, com medo de serem apanhados e sob pressão da polícia, resolveram se desfazer da obra. "Sabemos que eles não cometeram o crime por encomenda, pois é isso que mostram as investigações do Deic. Eles pegaram os quadros para depois encontrar algum comprador", afirmou o delegado-geral, Maurício Lemos Freire. "Há 11,5 mil obras de arte roubadas no mundo e o tempo médio de investigação desses tipo de crime é de 5 a 10 anos. Nós fizemos isso em tempo recorde", comemorou o delegado-geral. Os três acusados que permanecem foragidos são Marcelo Dias de Souza, Paulo César Soares e Diego Constantino de Oliveira. Os dois primeiros são acusados pelos policiais do Deic de participar diretamente do roubo. Acompanhados por Uéslei Teobaldo Barros, eles entraram armados na Estação Pinacoteca, depois de comprar ingressos. Do lado de fora do prédio, eram aguardados por Edmílson Silva do Nascimento, responsável por dirigir o carro usado na fuga pelo bando. Uéslei foi preso e revelou a participação dos colegas. Foi ainda por meio dele que os policiais recuperaram a primeira gravura de Picasso. Em seguida, foram detidos Silva e Alex Santana dos Santos - acusado de ajudar Uéslei a esconder a gravura em uma Cohab, em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Por meio de Silva, os investigadores encontraram os quadros de Di Cavalcanti e Lasar Segall, também escondidos na zona leste da capital. Todas as obras foram levadas à Estação Pinacoteca, que teve a segurança reforçada por guardas armados e detectores de metal. As obras só voltarão a ser expostas após exames técnicos. "Esse também será o destino da gravura", adiantou Marcelo Araújo, diretor do museu. Aparentemente, Minotauro, Bebedor e Mulheres estava em bom estado. "Até a moldura é a original", revelou Araújo.

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