Recuperação do patrimônio exige envolvimento

Na avaliação de especialistas, educação é importante, mas população precisa estabelecer vínculos com monumentos

Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - A retomada dos espaços públicos ganhou força recentemente nas metrópoles, como São Paulo, mas é um processo ainda complicado. Para recuperar o patrimônio, afirmam especialistas, é fundamental que os cidadãos se envolvam com a importância e a história desses monumentos públicos.

"A cidade grande contemporânea produz a falta de reconhecimento dos espaços públicos e de seus valores culturais", analisa Antônio Cláudio Fonseca, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A proposta de educação patrimonial, para ele, é importante para reestabelecer essa conexão simbólica entre os moradores da cidade e as obras.

Para isso, a Prefeitura pretende retomar o antigo papel das fontes, de espaços de convivência social. A ideia de levar apresentações artísticas ao Largo da Memória, ponto de partida do projeto-piloto, é para derrubar a concepção de monumentos isolados, inacessíveis.

A divulgação do patrimônio também será uma engrenagem importante do trabalho, com publicações, vídeos e até aplicativos que contam a história de cada obra.

De acordo com Fonseca, no entanto, o fracasso de iniciativas em outras cidades revela o tamanho do desafio. "Já houve projetos em Barcelona, por exemplo, que foram realizados quase na mesma época. Um fracassou e o outro deu certo."

Atenção permanente. Para Francisco Zorzetti, diretor da Companhia de Restauro, o projeto precisa garantir a boa conservação das obras. "Caso contrário, não adianta restaurar", aponta. "É importante ter cuidado diário com essas fontes."

A divisão das tarefas será negociada entre a Prefeitura e as empresas parceiras. A limpeza, por exemplo, deve ser feita pela administração pública, para que haja controle dos métodos e produtos químicos usados no trabalho.

"É importante respeitar a vocação de cada um", explica Marcelo Graglia, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que participa do projeto. "Há coisas que são para o poder público. O modelo em que a empresa faz tudo é temerário", acrescenta.

Incentivos fiscais. Pelo programa, não são previstos mecanismos diretos de isenção de impostos para as companhias participantes. Mas a atração da iniciativa privada, segundo Graglia, não será difícil.

"Já há várias empresas interessadas, a despeito de interesses fiscais, mas pela divulgação do nome e colaboração no projeto", garante. Nos casos em que não houver quem "adote" o monumento, os coordenadores do projeto esperam que a Prefeitura contribua com verbas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.