Reconstituição do seqüestro de Eloá termina após quase 5 horas

Nayara participou de parte dos trabalhos dos peritos junto de psicólogos e representantes do Conselho Tutelar

Marcela Spinosa, do Jornal da Tarde,

19 de novembro de 2008 | 16h53

A reconstituição do seqüestro de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, terminou por volta das 15h45 desta quarta-feira, 19, após quase cinco horas. Os trabalhos começaram por volta das 11 horas, após a chegada das pessoas que participaram da reconstituição, dividida em três partes. Nayara Rodrigues da Silva, de 15 anos, chegou acompanhada de psicólogos e de representantes do Conselho Tutelar e só participou das duas primeiras partes da recomposição do seqüestro. Lindemberg Alves, de 22 anos, não participou dos trabalhos, mas sua defesa acompanhou os peritos.   Além de Nayara, participaram da reconstituição a mãe dela, Vitor e Iago - os dois meninos que também foram feitos reféns por Lindemberg e soltos no início do seqüestro - Douglas, irmão de Eloá, e a mãe da menina. Também participam dos trabalhos oito policiais científicos (dois desenhistas, quatro peritos, um médico legista e um fotógrafo), 100 policiais militares (entre os que participam da reconstituição e os que fazem a segurança do local), o delegado Sérgio Luditva (titular do 6.º DP de Santo André, que preside o inquérito) e o promotor Antonio Nobre Folgado, responsável pelo caso.   Veja também: Peritos vão reconstituir invasão Perguntas e respostas sobre o caso Eloá  Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg  Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá          Na primeira parte, que durou das 11 às 12h50, foi reconstituído desde a invasão de Lindemberg até o momento que ele faz os disparos contra os policiais e as pessoas que estão em volta do prédio, nos primeiros dias. Logo depois, os peritos iniciaram a segunda parte, que foi desde a libertação de Nayara até o momento em que Lindemberg recebe o documento em que o Ministério Público lhe garantiria a integridade física. Este trecho da reconstituição durou até as 14h50.   Após esta parte, os participantes fizeram uma parada para um lanche e, em seguida, os garotos Iago e Vitor e Nayara foram embora junto com a mãe da menina e os psicólogos. Segundo Marcelo Augusto de Oliveira, advogado da família de Nayara, não havia necessidade de ela participar do último trecho da reconstituição e por isso foi embora. Nesta última parte, foi reconstituída a explosão, a invasão dos policiais do Gate ao apartamento e os disparos que mataram Eloá e feriram Nayara.   Oliveira também informou que ficou satisfeito com a reconstituição, que na opinião dele foi rápida. Ele disse que os policiais e peritos respeitaram Nayara e os acordos feitos com a família: caso a garota se sentisse mal poderia ir embora; seria acompanhada da defesa e de psicólogos; e que ela teria o mínimo contanto com a defesa de Lindemberg. Houve boatos de que a família de Nayara não queria a participação da menina na reconstituição, mas o advogado disse que essa era uma imposição dos psicólogos que, com o tempo, voltaram atrás e disseram que não haveria problemas na participação dela, desde que o acordo fosse cumprido.   O advogado da família de Eloá, Ademar Gomes, foi ao local para acompanhar o início dos trabalhos mas foi embora em seguida. Segundo ele, "a reconstituição é importante para saber o que aconteceu no dia da invasão". Gomes considera a presença de Nayara para esclarecer "se houve ou não o tiro antes da invasão e porque ela voltou ao cativeiro".   Em relação ao pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos, o advogado afirmou que ele vai continuar foragido até que a defesa tenha acesso aos inquéritos. Everaldo é foragido da Justiça de Alagoas e acusado por homicídios. O advogado afirmou que apenas um dos processos contra Everaldo foram apresentados à defesa até agora e que ele continuará foragido pois tem medo de morrer.   Os policiais militares fizeram o isolamento da área da reconstituição. Com a garoa que atinge a região, não houve muitos curiosos no local. O colégio que fica em frente ao conjunto de prédios - que foi usado pelos policiais durante as negociações do seqüestro - funcionou normalmente nesta quarta.   Importância da reconstituição   Para o promotor que atua no caso, Antonio Nobre Folgado, a reconstituição em nada mudará seu posicionamento sobre o a culpa de Lindemberg. "Acredito que (a reconstituição) será uma peça auxiliar, mas que não trará nada de novo sobre o que já foi apurado", disse o promotor Folgado - que acompanhará o trabalho dos peritos.   O promotor denunciou Lindemberg por 12 crimes divididos em três artigos do Código Penal: homicídio, cárcere privado e disparo de arma de fogo. Caso seja condenado, poderá pegar pena que varia entre 50 e 60 anos de reclusão. Ele está preso na Penitenciária de Tremembé, no interior do Estado.   Atualizado às 18 horas

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