Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Recomeça na Luz demolição da antiga rodoviária

Mas, segundo prefeito Gilberto Kassab, as obras de revitalização da cracolândia só devem ter início no 2º semestre do ano que vem

Rodrigo Burgarelli, Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2010 | 00h00

A demolição da antiga rodoviária de São Paulo, na Luz, região central, recomeçou. A liminar que impedia as obras foi suspensa há uma semana e os tratores voltaram a derrubar muros e paredes. A revitalização urbanística da cracolândia, porém, só terá início, "na melhor das hipóteses", no segundo semestre de 2011, segundo afirmou ontem o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Os trabalhos acontecem no quarteirão entre a Avenida Duque de Caxias, a Praça Júlio Prestes e as Ruas Helvétia e Barão de Piracicaba. A obra havia sido interrompida há cerca de um mês, quando uma das empresas que perderam o contrato de R$ 3,5 milhões para a demolição contestou a licitação na Justiça. O governo do Estado planeja construir ali o Complexo Cultural Luz - conjunto de três teatros de cerca de R$ 600 milhões, ainda sem prazo para sair do papel.

Além do projeto estadual, a Prefeitura também planeja revitalizar 53 quarteirões da cracolândia - no início do seu segundo mandato, Kassab disse que a ação era prioridade absoluta do governo. O plano também não tem data para ficar pronto. "Vamos receber o projeto finalizado em abril e já abriremos a licitação (da concessão urbanística) em seguida", disse o prefeito.

O Estado revelou no dia 31 de agosto que os viciados em crack haviam invadido o terreno quando as obras foram interrompidas, para coletar pedaços de metal para vender. A volta dos tratores à área da antiga rodoviária não foi suficiente para afastá-los - agora, eles caminham entre as máquinas sem qualquer tipo de bloqueio ou equipamento de segurança que os proteja de tijolos, entulho e da poeira.

Isso acontece porque a demolição é executada sem a proteção de tapumes - exigência do Código de Obras municipal. Segundo essa lei, todos canteiros devem ser vedados por estruturas de 2,20 metros para impedir a invasão e diminuir o impacto da poeira no entorno. Mas os funcionários da obra contam que os tapumes foram roubados para virar barracos numa favela do centro. Sem eles, os viciados entram no terreno e se arriscam entre os tratores - as peças metálicas são compradas por R$ 0,20 o quilo.

Atípica. A poeira que sai da construção também incomoda comerciantes e moradores da região - na terça-feira, lojas fecharam durante a tarde e uma senhora desmaiou na calçada. Norberto Félix, engenheiro responsável pela obra, reconhece os problemas, diz que já tentou convencer os "noias" a saírem do local, mas não teve sucesso. A Secretaria de Estado da Cultura informou que a poeira presente na área "é inerente a qualquer obra de demolição" e pediu o reforço no policiamento. Também prometeu fechar a área com alambrado.

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