Recém-operada tem de esperar 2 meses

Gestantes relatam que perdem dias aguardando exames; conselheiros dizem que situação piora nos fins de semana

O Estado de S.Paulo

03 Março 2013 | 02h01

Quem usa a rede pública de saúde já se acostumou a ter de esperar meses para conseguir uma consulta. Anteontem, a doméstica Marlene de Almeida, de 53 anos, cruzou a cidade para passar por uma consulta. Sem achar ginecologista no Atendimento Médico Ambulatorial Várzea do Carmo, na região central, onde mora, ela recorreu ao Hospital Geral de Cachoeirinha, na zona norte. E, mesmo no hospital estadual, só conseguiu consulta para o próximo dia 24. "Estou recém-operada e já faz dois meses que estou tentando passar com o médico", conta Marlene.

Perto dali, no Hospital Maternidade Cachoeirinha, as gestantes passam o dia todo aguardando exames. E novamente a demora está ligada à falta de médicos.

Nos fins de semana, a espera por atendimento é ainda maior. Na zona sul, por exemplo, quando as Unidades Básicas de Saúde fecham, todos os pacientes correm para os Hospitais do Campo Limpo. A conselheira de saúde Maria de Lourdes Martin afirma que no ano passado a espera por uma consulta no local podia chegar a sete meses. "Neste ano, está sendo mais rápido: demora dois meses."

Sobre o déficit de médicos, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou que "já está debatendo a criação de um novo plano de carreira com objetivo de equacionar o quadro desses profissionais na rede". A pasta afirma também que trabalha para reabrir, em 120 dias, a UTI Pediátrica do Hospital do Campo Limpo.

Após a nova gestão divulgar dados que há hoje 800 mil pedidos médicos na fila de espera, o ex-secretário da Saúde Januario Montone saiu em defesa de sua gestão e disse que "entregou uma área da saúde muito mais avançada, sob qualquer ponto de vista, do que recebemos em 2005". / A.R. e FELIPE FRAZÃO

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