RAFAEL ARBEX/ESTADÃO
RAFAEL ARBEX/ESTADÃO

Recém-inaugurada, transposição da Represa Billings para

Transferência para o Alto Tietê passa por obras após assorear rio; governo afirma que bombeamento está em ‘operação assistida’

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Duas semanas após ter sido inaugurada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), a transposição de água da Represa Billings para o Sistema Alto Tietê teve de ser paralisada para passar por obras. A transferência de até 4 mil litros por segundo feita pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para evitar o rodízio na região metropolitana acabou provocando o assoreamento de um rio em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. O governo nega que o bombeamento tenha sido suspenso e afirma que a obra está em “operação assistida”.

A reportagem do Estado esteve na tarde desta quarta-feira, 14, no trecho onde a água captada da Billings é lançada no Rio Taiaçupeba-Mirim e constatou que o bombeamento foi paralisado para que operários da empreiteira Jofegê Pavimentação e Construção Ltda pudessem escorar com pedras o barranco que estava desmoronando sobre o leito do canal com a força da água bombeada. Moradores vizinhos ao rio relatam que a operação está suspensa há quatro dias. 

“Todas as vezes que eles ligaram as bombas, a água desceu arrastando tudo que o tinha pela frente. Pelo que soube do projeto original, nesse trecho onde tem casas aqui ainda deveria ter tubulação, para não acontecer esse desastre”, afirmou o representante comercial Sergio Leão, de 42 anos. “Nem essas pedras que eles estão colocando no barranco segura a força da água. O barulho é enorme”, disse o aposentado Silvestre Stivanello, de 68 anos.

A transposição do Sistema Rio Grande, braço da Billings que está cheio (86,2% da capacidade), para a Represa Taiaçupeba, do Alto Tietê, que está com nível baixo (14,7%), foi inaugurada no dia 30 de setembro por Alckmin como a principal obra emergencial para evitar o rodízio no abastecimento da Grande São Paulo. Na ocasião, técnicos da Sabesp informaram que a obra deveria operar plenamente, transferindo os 4 mil l/s, em cerca de dez dias.

Assoreamento. Segundo a Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, o assoreamento aconteceu a cerca de 3 km do local de chegada da água, causando aumento de nível e consequente refluxo nas galerias pluviais. “Para evitar transtornos à população de Ribeirão Pires, o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo) está reforçando a canalização do córrego. Em questão de dias, o bombeamento alcançará sua força total”, afirmou. Segundo a pasta, “esse período de operação assistida é necessário para que eventuais ajustes, perceptíveis apenas na prática, sejam feitos”.

A obra é criticada por ambientalistas e questionada na Justiça pelo Ministério Público Estadual (MPE) porque não foi precedida de Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima). O governo alega que o dano ambiental é pequeno. 


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.