Daniela Ramiro
Daniela Ramiro

Rebelião em Franco da Rocha foi 'questão pontual', diz Alckmin

Governador negou ligação da ocorrência na Grande São Paulo com as brigas entre facções em unidades prisionais que deixaram 18 mortos em Roraima e Rondônia

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2016 | 13h24

SÃO PAULO - O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), classificou como uma "questão pontual, local" a rebelião e a fuga de 55 detentos do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Franco da Rocha, na região metropolitanaa, que aconteceu no fim da tarde desta segunda-feira, 17. Ele negou ligação da ocorrência com as brigas entre facções em unidades prisionais de Roraima e Rondônia nesta semana, que deixaram 18 mortos.

Ao apresentar na manhã desta terça-feira, 18, resultados do sistema Detecta, software da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Alckmin comentou a fuga.

"Não há certamente nenhuma relação com o que ocorreu nos presídios do Norte e Nordeste. Foi uma questão pontual, local (em Franco da Rocha), que está sendo investigada, mas tudo indica que presos tomaram conhecimento que cinco líderes seriam transferidos e aí causaram a rebelião", disse.

O governador confirmou a versão apresentada pelo secretário da Administração Penitenciária (SAP), Lourival Gomes, afirmando que líderes na unidade estariam extorquindo dinheiro de familiares de outros presos.

Até o início da tarde desta terça, a SAP já havia relatado a recaptura de 50 dos 55 foragidos. "Eles praticamente nem conseguiram deixar a região. E a maioria é de pessoas com dificuldades, são pessoas doentes", comentou o governador.

O secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, reforçou que os casos no Norte não têm ligação com São Paulo. "Não temos nenhum tipo de preocupação com o que está acontecendo fora do Estado. Não temos notícia de nenhum tipo de problema dentro dos nossos presídios. O que aconteceu foi um episódio isolado, como o governador acabou de falar", disse.

Barbosa Filho informou que o policiamento permanece reforçado na região de Franco da Rocha em busca dos outros cinco que permanecem foragidos. Ele negou que a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros tenham demorado a agir no caso. O incêndio iniciado pelos detentos destruiu pavilhões da unidade.

"Os bombeiros chegaram muito rápido, mas havia dificuldade de ingressar em razão do tumulto lá dentro", afirmou o secretário.

Jardinópolis. A ocorrência em Franco da Rocha foi a segunda fuga em massa no Estado no último mês. Em 29 de setembro, 470 presos do regime semiaberto haviam fugido do Centro de Progressão Penitenciária de Jardinópolis, no interior do Estado. Nos dois dias seguintes, a Polícia Militar conseguiu recapturar 338, que regrediram para o regime fechado e serão alvos de sindicância. A unidade tinha 1.861 presos - a capacidade é de 1.080 presidiários.

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