Rebelião de presos em Ribeirão Preto continua sem solução

'Os presos queriam um acordo e soltariam o refém, mas a direção do CDP não nos recebeu', disse advogada

Brás Henrique, Agência Estado

11 de abril de 2008 | 19h46

Clima da rebelião no Centro de Detenção Provisória de Ribeirão Preto, continuava tenso até por volta das 19h30 desta sexta-feira, 11. O motim começou no início da tarde e a motivação ainda era incerta, com várias versões, uma delas de que a direção do presídio teria reduzido o recebimento do jumbo (alimentos levados por parentes dos detentos) pela metade. Um agente penitenciário foi feito refém e pelo menos dois presos estariam feridos. Um outro agente penitenciário teria se intoxicado durante o incêndio no final da tarde e também com os gases da bomba de efeito moral. A advogada Ana Paula Vargas Melo, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, tentou entrar no presídio para negociar o fim da rebelião, mas não foi recebida pela direção da unidade. O promotor criminal Eliseu Berardo Gonçalves estava no presídio. "Os presos queriam um acordo e soltariam o refém, mas a direção do CDP não nos recebeu", disse Ana Paula, que manteve contatos telefônicos por celular com os presos. No final da tarde, houve um incêndio dentro do CDP, mas até as 19h30 não se tinha informação correta se o fogo tinha sido ateado pelos presos ou pelos policiais.   Bombas de efeito moral foram soltas dentro do CDP periodicamente e o helicóptero da PM sobrevoou o presídio por volta de duas horas. Por volta das 19h20, foram ouvidas explosões vindas do helicóptero, que poderiam ser balas de borracha ou algo para dispersar os presos no pátio.   O detento Alex Donizete Alonso, de 20 anos teria sido um dos feridos, mas sem gravidade, segundo informação recebida por Ana Paula. Adelino Walter Alonso, pai de Alex, estava do lado de fora do presídio e desesperou-se. "Hoje é meu aniversario e olha o presente q eu recebi", disse Adelino, que completou 61 anos. A advogada da OAB não sabia com certeza se a tropa de choque da PM teria ou não invadido o CDP.   O CDP de Ribeirão Preto tem capacidade para 768 presos e estava com pelo menos 1100 detentos. Em 10 de março último, dois presos foram mortos na unidade. Esses crimes estão sendo investigados.  

Tudo o que sabemos sobre:
rebelião de presosRibeirão Preto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.