Rebelião de presos deixa nove mortos no Maranhão

Tumulto ocorreu em presídio de São Luís: uma das reivindicações é que detentos de Imperatriz voltem à sua cidade

Wilson Lima/ SÃO LUÍS ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2010 | 00h00

Uma rebelião no Anexo 3 do Presídio São Luís do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital maranhense, resultou em pelo menos nove presos mortos. Todas as vítimas cumpriam pena por estupro. Dos nove, três foram degolados e os demais, decapitados. O número de mortos, porém, não havia sido fechado até as 23 horas de ontem. Fontes não oficiais indicam que a rebelião pode ter resultado em pelo menos 14 execuções.

O motim começou por volta das 9 horas, quando presos do Anexo 3 se aproveitaram da vistoria feita pelo agente penitenciário Raimundo de Jesus Coelho, o Dico. Nesse instante, detentos dominaram o agente, tomaram sua arma e o alvejaram com dois tiros. Recolhido por outros agentes posteriormente, foi transferido para um hospital da capital. Seu estado de saúde é grave, mas ele não corre risco de morte.

Depois disso, detentos da cidade de Imperatriz e da região da Baixada Maranhense começaram a brigar com detentos da cidade de São Luís, que dividiam o mesmo espaço. Pelo menos 200 presos estavam no Anexo 3.

Esses detentos passaram a exigir a transferência dos detentos de Imperatriz para sua cidade natal, além de melhorias no fornecimento de água e comida. Os presos também exigiam a exoneração do diretor do presídio, Luís Henrique Freitas. O Anexo 3 tem capacidade para aproximadamente cem detidos.

As negociações transcorriam até 23 horas, quando foram interrompidas. A expectativa é de que as conversas, mediadas por Polícia Militar, Ordem dos Advogados do Brasil seção Maranhão (OAB-MA) e Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, fossem retomadas hoje.

Líderes. Ainda no início da noite, os líderes do motim foram presos e identificados pelos apelidos de Diferente, Roney Boy e Serec. Durante toda a tarde, o clima se manteve tenso em Pedrinhas e os presos não queriam que apenas policiais participassem das negociações. Os detentos temiam represálias ou uma invasão da Tropa de Choque.

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