Instituto Sou da Paz/Divulgação
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Realidade pede novas ações, dizem especialistas

Para o diretor-executivo do Instituto Sou da Paz, é necessária uma ação focada a partir da análise dos dados de segurança pública

Bruno Ribeiro e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2016 | 05h00

Com o crime focado em aparelhos celulares, especialistas em segurança apontaram a necessidade de reformulação de atuação da polícia para enfrentamento específico a essa realidade. No ano passado, a Secretaria passou a registrar o IMEI - número de identificação único de cada aparelho - no boletim de ocorrência, como forma de bloquear os equipamentos roubados, impedindo a revenda no mercado ilegal. 

"A questão do IMEI foi algo interessante, mas percebemos agora que não teve a efetividade necessária. Pensar um pouco fora da caixa e buscar soluções para essa dinâmica criminal é algo a ser feito para reduzir os indicadores", avaliou o diretor-executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques.

Ele acredita que muitas ocorrências são de "oportunidade", onde o criminoso busca vítimas desatentas passeando em lugares sem iluminação para cometer o assalto. Contra isso, Marques pediu uma ação focada a partir da análise dos dados. "A melhor estratégia é a baseada em evidências, nas manchas criminais, o que a polícia já faz. Resta saber se de fato tanto a PM vem trabalhando nessa parte ostensiva a partir das evidências quanto a Polícia Civil tem se concentrado em atacar a raiz do problema", disse. "Se o caso é de celular, tem de ver como está a receptação do comércio que vai revender o produto do roubo". 

Promotor de Justiça e professor de direito penal na Universidade Mackenzie, Fabio Ramazzini Bechara pediu que se olhe para o problema além do viés policial. "A polícia acaba sendo o parachoque, quando na verdade não é correto atribuir a ela toda a responsabilidade. É necessário olhar para a própria legislação, para as condições do sistema prisional e a realidade socioeconômica de cada localidade", disse.

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