Raposo investiu R$ 2,5 milhões em sistema

Estrutura de climatização teve de ser refeita em 12 meses após o centro comercial não conseguir passar na fiscalização

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2011 | 00h00

O Raposo Shopping, no Jardim Boa Vista, extremo oeste de São Paulo, foi um dos centros comerciais da cidade que tiveram de reformular sua estrutura de climatização a pedido da Covisa. Desde a inauguração, em 1996, o local contava apenas com um sistema de ventilação - condição que permaneceu até agosto do ano passado.

O centro comercial foi ampliado em maio de 2010. Com o aumento no número de lojas, a ventilação, que já não era ideal, tornou-se insustentável. As novas instalações quase dobraram a média de clientes. Passou de 400 mil para 750 mil visitantes por mês. "Estava muito abafado, usávamos ventilador dentro da loja e não dava conta", afirma Bianca Campos de Souza, de 23 anos, vendedora de uma loja feminina. "Os clientes tinham até dificuldade de provar as roupas."

Com a pressão da vigilância, a empresa que gerencia o shopping teve de investir R$ 2,5 milhões na nova estrutura. "Fizemos todo o sistema e temos agora uma preocupação muito grande de análise diária do ar", explica Kléber Martines, superintendente operacional da Brookfield, empresa dona do centro comercial.

A reforma demorou 12 meses e foi acompanhada pela Covisa. "Já havia a disposição da empresa e projeto estava pronto para o sistema. Por isso foi bem rápido", ressalta Martines. "Percebemos que, após as mudanças e o investimento, o nível das lojas e a frequência melhoraram."

Segundo a gerência da Covisa, os prazos de ajustamento das condições são definidos caso a caso. Há processos que já duram quatro anos e ainda não acabaram. "Damos os prazos necessários. Não adianta estipular dez dias, quando não é possível que a empresa cumpra", afirma o subgerente de Vigilância e Saúde do Trabalhador, Szymon Gratenkraut. O Ministério Público do Trabalho (MPT) ameaça propor ação civil pública caso os prazos para adoção de medidas não sejam respeitados.

Custo. Apesar do alto investimento que o Raposo Shopping fez para regular seu sistema, o custo médio varia de acordo com cada construção. Mas nunca é muito barato. Segundo o presidente da Brasindoor, Paulo José Marques Hoenen, os ajustes incluem limpeza de dutos, troca de filtros e instalação de equipamentos padrão e não saem por menos de R$ 40 mil. "Para um grande empreendimento, esse não é um valor muito grande. Mas às vezes os ajustes precisam incluir alterações na construção, como a retirada de um banheiro."

Projetos de ar condicionado dos empreendimentos não fazem hoje parte do processo de licença de uma construção feito pela Prefeitura.

"Se fizesse, talvez haveria outra realidade", diz Gratenkraut, da Covisa.

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