Rapaz sequestrado é morto com overdose no cativeiro

Jovem de 17 anos foi rendido por bandidos na zona leste e obrigado a tomar calmantes; dois [br]suspeitos foram presos

Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2011 | 00h00

Sequestrado no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, um jovem de 17 anos morreu de overdose de calmantes que os bandidos o obrigaram a ingerir no cativeiro. Um garçom de 23 anos que conhecia a vítima está preso acusado do crime e outros dois suspeitos estão foragidos.

O estudante Kennedy Santos de Jesus foi abordado por três homens no dia 31 de maio, por volta das 5h30, pouco depois de deixar a mãe em uma estação de trem do bairro. Ameaçado por uma arma, foi levado para um cativeiro, também no Itaim Paulista. Por telefone, o bando exigia um resgate de R$ 200 mil.

"Os criminosos o fizeram tomar uma série de medicamentos para dormir. O rapaz morreu de overdose dois dias depois", contou o delegado Edson Jorge Aidar, da Divisão Antissequestro (DAS). Com a morte de Kennedy, as ligações pedindo resgate à família cessaram. O corpo do jovem foi deixado em um terreno baldio e encontrado no mesmo dia. Sem identificação, foi enterrado como desconhecido no Cemitério da Vila Formosa.

Posteriormente, as investigações levaram a polícia a identificar o garçom Ezaquiel de Oliveira Silva, de 23 anos, e outros dois homens. Silva foi preso na última quinta-feira, no Jardim das Oliveiras, na mesma região. Ele era vizinho da vítima e, segundo o delegado, conhecia Kennedy. "Não eram muito próximos, mas conhecidos. Acredito que esse tenha sido o fator para o sequestro. O bandido imaginava que a família do jovem tinha alto poder aquisitivo", disse. O acusado chegou a se matricular na academia do pai de Kennedy.

Ezaquiel também é acusado de ter sequestrado uma mulher no mesmo dia em que Kennedy foi rendido. Dois dias depois, após o pagamento do resgate, ela foi libertada. O criminoso foi reconhecido e confessou o crime. No caso de Kennedy, ele deve ser indiciado por extorsão mediante sequestro seguido de morte. A pena pode superar 30 anos. Só no primeiro semestre, houve 29 sequestros no Estado.

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