Rapaz que iniciou briga já foi preso por receptação

Empresário que invadiu área e rasgou notas seria da diretoria da Império e disse à polícia que havia acordo para evitar rebaixamento

CRISTIANE BOMFIM , CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2012 | 03h01

O empresário Tiago Ciro Tadeu Faria, de 29 anos, da diretoria da Império de Casa Verde, e Cauê Santos, de 20, integrante da Gaviões da Fiel, foram presos ontem, logo após a confusão que interrompeu a apuração do carnaval de São Paulo. Faria é apontado pela Polícia Civil como o responsável por invadir a área dos jurados, rasgar os votos e agredir o locutor da apuração das escolas.

Segundo o delegado Oswaldo Nico Gonçalves, da Delegacia do Turista (Deatur), os dois foram indiciados por suspeita de dano ao patrimônio público e supressão de documentos, considerando o desaparecimento de cédulas da apuração. Outras oito pessoas também foram presas - por porte de drogas e tentativa de furto.

Acordo. Ao delegado Nico, Faria disse que a Liga das Escolas de Samba teria feito, dias antes, um "acordo de cavalheiros" com as agremiações, garantindo que nenhuma escola iria cair para o Grupo de Acesso - segunda divisão do carnaval. O motivo do "acordo" era a troca dos jurados dos quesitos samba-enredo e mestre-sala e porta-bandeira, que foram substituídos por suplentes na quinta-feira, um dia antes do início dos desfiles do Grupo Especial.

Até a noite de ontem, a Polícia Civil analisava imagens que mostravam o começo do problema. "Se for provado que mais gente invadiu, o número de prisões vai aumentar", garantiu Nico. Os vídeos deverão ajudar a polícia a identificar os responsáveis pelo incêndio em carros alegóricos, que estavam estacionados na dispersão do sambódromo.

Faria e Santos devem ser encaminhados para o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros. No site do Tribunal de Justiça de São Paulo consta que Faria já respondeu por receptação, no ano de 2002, na área do 38.º Distrito Policial (Vila Amália). Ele foi julgado pela 14.ª Vara Criminal da Barra Funda. A pena foi convertida em multa.

A reportagem apurou que, no ano de 2004, Faria consta como indiciado em um caso de ataque a caixa eletrônico em um posto de gasolina na Avenida Nações Unidas, na região de Santo Amaro, na zona sul da cidade. Ele foi detido com outros três homens pela Polícia Militar, após a denúncia. Com o bando foram apreendidos cilindros metálicos e chaves de fenda.

Ação. O major Alexandre Gaspariano, do Batalhão de Choque, afirmou que a ação da PM não apresentou falhas. "Falha existiria se houvesse tumulto e a PM não tivesse contido as pessoas de maneira rápida",explicou o oficial. Gaspariano disse ainda que a multidão enfurecida nas ruas do entorno do sambódromo foi acompanhada até chegar à quadra da Gaviões da Fiel, no bairro do Bom Retiro, região central.

O tenente-coronel Oswaldo Garcia, comandante do 9.º Batalhão da Polícia Militar, disse que o sambódromo foi esvaziado para evitar que houvesse feridos. "Na rua, eles foram perdendo a força e acabaram dispersados", conta.

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