Rapaz mata a namorada e entrega a cabeça da vítima na delegacia

Homem de 23 anos se entregou à Polícia Civil na noite de sábado; a namorada de 16 anos estaria grávida e foi estrangulada

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

29 Março 2015 | 20h03

Atualizada às 23h04

SÃO PAULO - Após estrangular e matar a namorada de 16 anos, que estava grávida de 7 meses, na quinta-feira, o ajudante-geral José Ramos dos Santos, de 23 anos, se entregou à Polícia Civil na noite de sábado, por volta das 19 horas. A surpresa dos plantonistas do 1º DP (Sé) foi quando Santos abriu a mochila que carregava e mostrou a cabeça da vítima, que também havia sido decapitada.

Aos policiais, o ajudante contou ter matado a adolescente Shirley Souza após ela confessar que o havia traído. "Ela confessou que havia saído com um amigo nosso na véspera do Natal e no Ano Novo", relatou Santos no boletim de ocorrência feito no 8º DP (Brás). O ajudante não mostrou arrependimento em seu depoimento. "Ela merecia morrer sim. Mas depois percebi que a família dela não merecia isso", relatou o assassino confesso. 

Santos atravessou 30 quilômetros da cidade com a cabeça da vítima em sua mochila. Ele saiu da Pedreira, no extremo sul, e tomou duas linhas de ônibus, por quase 30 quilômetros, até achegar à delegacia da Rua da Glória, na Liberdade, região central. 

Antes de mostrar a cabeça aos policiais, Santos contou como havia matado a namorada dois dias antes. Ele havia se encontrado com ela na casa do irmão, na Rua Thomas Linley, no Jardim Itapura, uma favela na região da Pedreira. Os dois estavam tentando reatar, após sucessivas brigas. Acabaram tendo relações sexuais, segundo Santos.

Mas, durante a madrugada, em uma crise de ciúmes, Santos começou a questionar Shirley sobre eventuais traições. "E ela confessou ter saído com o Eduardo. Era um amigo nosso", contou o assassino à polícia. Em seguida disse pra ela "ficar tranquila" que nada aconteceria. Mas, enquanto ela estava no box do banheiro tomando banho, o ajudante entrou e começou a estrangulá-la.

A adolescente desmaiou e, como estava gelada, Santos contou ter achado que ela havia morrido. Em seguida foi à cozinha, pegou "uma faca Tramontina branca" e começou a cortar seu pescoço até arrancar a sua cabeça, que foi guardada em um saco plástico. O resto do corpo foi embrulhado em um edredom, com os pés e mãos amarrados, e guardado dentro de um armário onde também ficava um botijão de gás reserva da casa.

Na sexta-feira, quase 24 horas após o crime, o irmão de Santos começou a reclamar do mau cheiro na casa. O ajudante então jogou o corpo da vítima na Rua Manoel Rodrigues Mexelhão (conhecida como viela Tico-Tico), na madrugada de sábado. 

No sábado, quando acordou, por volta das 11 horas, o ajudante já percebeu que vizinhos haviam encontrado o corpo. Ele, então, resolveu se entregar. Colocou a cabeça da vítima em sua mochila e foi até o 1º DP. Como não havia um delegado plantonista para cuidar do caso, o ajudante foi levado até o 8º DP.

"Antes de mostrar a cabeça ele mostrou fotos que havia feito do corpo dela no celular. Depois ele abriu a mochila e mostrou a cabeça. Foi um susto muito grande. Todo mundo ficou indignado com o jeito frio que ele relatou o crime. Falou que ela merecia mesmo isso", contou ao Estado um investigador. O caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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