Rapaz dá golpe em lojas de grife do Shopping Higienópolis

Vinicius Sena, de 18 anos, forjou pagamento com DOC para levar cerca de R$ 10 mil em roupas da [br]Hugo Boss e da Rockstter

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2011 | 00h00

Com sapatos da grife italiana Salvatore Ferragamo, jeans Diesel e camisa Daslu, o operador de supermercado Vinicius dos Santos Sena, de 18 anos, conseguiu convencer na noite de anteontem gerentes de duas lojas do Shopping Pátio Higienópolis a deixá-lo pagar cerca de R$ 10 mil em roupas com DOC (documento de crédito). Seu cartão de débito acusava insuficiência de fundos.

"Em nenhum momento ele foi grosseiro, ou tentou dizer, por exemplo, que o cartão não estava passando por culpa da máquina. Ao contrário, agiu com tranquilidade e educação. Alguma coisa ali estava estranha, mas não dá para dizer a um cliente que a gente desconfia dele. Nem mesmo sugerir", diz Jefferson Amabile, gerente da Rockstter, onde Vinicius esteve primeiro - por volta das 18h.

Após separar quase R$ 5 mil em roupas - que, na promoção, custariam R$ 2.548 -, o abastado cliente saiu da loja dizendo que iria ao caixa eletrônico sacar o valor (já que o cartão não "passava"). Subiu dois pisos e entrou na loja Hugo Boss. Gostou de um casaco de couro de quase R$ 4 mil, também na promoção, e de dois paletós - ao todo, R$ 6 mil.

O gerente, Wellington Poiani, fez algumas tentativas para efetuar o pagamento com o cartão de débito - em vão. Então, Vinicius sugeriu o DOC. "Ele forjou uma ligação para o banco, "falou" com o gerente e nos informou que o dinheiro cairia na conta da loja no dia seguinte."

Carregando a sacola da Hugo Boss, que, segundo Poiani, "dá um bom aval a um cliente", Vinicius voltou à Rockstter. Lá, disse que achava estranho a máquina estar rejeitando seu cartão, já que na Boss ele tinha passado.

Aplicou de novo o golpe do DOC. O gerente o deixou ligar do telefone da loja, para pedir autorização ao banco. "Como a gente não costuma vender por DOC, ele propôs transferir o dinheiro para a minha conta pessoal", conta Jefferson, que não podia manifestar sua desconfiança.

Ao desligar a suposta ligação para o banco, Vinicius anotou inclusive o número do protocolo da operação.

Jefferson não acha graça quando lembra. "Assim que ele saiu da loja, pedi a um dos vendedores que o monitorasse. Ao mesmo tempo, liguei para a Boss para saber se de fato o cartão tinha passado lá. Quando o Wellington me disse que ele pagou com DOC, imediatamente entrei em contato com a segurança do shopping. A essa altura, um terceiro vendedor voltava da rua dizendo que o endereço dele no cadastro, em Higienópolis, era falso."

Vinicius foi capturado na escada rolante, quando se preparava para sair do shopping pelo acesso da Rua Veiga Filho. No caminho, ainda tinha entrado na loja Via Veneto. Ao ver os seguranças e os gerentes das lojas caminhando em sua direção, o operador estendeu a sacola para Wellington, antes mesmo de ele pedir, e disse. "Eu estava indo lá para devolver. Comprei outra (jaqueta de couro) mais leve. Acho que meu amigo vai gostar mais. "

A partir daí, ele começou a se contradizer e acabou sendo levado para o 77.º DP.

Outros casos. O gerente da Boss conta que há um mês roubaram o mesmo modelo de jaqueta de couro e casos assim não são raros no shopping. "Eu poderia ter desistido de entregá-lo à polícia, mas eu achei que ele deveria aprender que aquilo não é certo enquanto ainda é jovem."

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