Sueli Aparecida Dias
Sueli Aparecida Dias

Rapaz agredido em trote em Adamantina pode perder visão

Olho de jovem foi atingido por substância despejada sobre sua cabeça por veteranos das Faculdades Adamantinenses Integradas

Chico Siqueira, Especial para o Estado

05 Fevereiro 2015 | 14h36

ARAÇATUBA - No segundo caso de trote violento de uma faculdade de Adamantina, no interior de São Paulo, o estudante de Engenharia Ambiental Caio Eduardo Castilho, de 18 anos, pode perder a visão do olho esquerdo, atingido por uma substância despejada sobre sua cabeça por alunos veteranos durante o trote de recepção aos novos alunos, na noite de segunda-feira, 2. No mesmo dia, a estudante Nathália de Souza Santos, de 17 anos, teve as pernas queimadas por ácido despejado no trote contra a turma de Pedagogia das Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI).

Morador em Tupã, cidade próxima a Adamantina, Castilho foi assediado pelos veteranos ao descer do ônibus, nas proximidades da escola. "Eles nos separaram por turma, colocaram a gente em fileira e nos fizeram sentar. Em seguida despejaram um monte de coisas sobre minha cabeça. Não sei o que era, sei que era fedido e aquilo escorreu para meu rosto", contou Caio.

Ainda à noite, o rapaz se sentiu incomodado, mas na manhã de terça-feira, 3, com aumento das dores, foi levado para uma unidade de saúde pela mãe. Encaminhado a um especialista, passou por uma limpeza do olho.

No dia seguinte, transferido para Marília, o oftalmologista constatou que a lesão atingira 70% da córnea e que ele corria o risco de perder a visão do olho esquerdo. "O médico não nos disse se há recuperação, mas espero que sim; tenho outra consulta e novos exames marcados para esta sexta-feira (6)", contou Castilho. "Sinto uma dor muito forte e não estou enxergando quase nada deste olho", comentou. 

Estou muito triste e chateado porque estudei muito, passei em primeiro lugar, para agora chegar à porta da faculdade e eles não me deixarem entrar. E ainda me agredir", declarou. "É uma decepção muito grande ver coisas como essas acontecerem em pleno século 21. Só tenho a lamentar."

A polícia está apurando as agressões. Diretores da faculdade se encontrariam com o estudante na tarde desta quinta-feira, 5, para obter informações sobre o caso. A FAI divulgou nota, na qual lamenta os trotes, "ocorridos do lado de fora da faculdade", e se solidariza com os estudantes agredidos.

Na nota, a faculdade também se coloca à disposição da polícia para prestar informações e anuncia a abertura de sindicância para apurar os trotes e identificar e punir os culpados.

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