Rajada de balas no Alemão assusta moradores

Primeiro tiroteio após a ocupação do complexo pode indicar que ainda há criminosos escondidos nas favelas da região

José Maria Tomazela ENVIADO ESPECIAL/RIO, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2010 | 00h00

No quarto dia de ocupação pelas forças de segurança, uma rajada de tiros quebrou o silêncio da madrugada, ontem, no conjunto de favelas do Complexo do Alemão. O tiroteio ocorreu por volta de 1h30 na favela da Fazendinha, numa área vigiada pela Polícia Militar. Os traficantes teriam disparado contra os policiais, que revidaram. De acordo com a Polícia Militar, o confronto não deixou feridos. O enfrentamento foi rápido, mas assustou os moradores. Foi o primeiro incidente após a ocupação das favelas e pode indicar que ainda há traficantes armados no complexo. O Exército reforçou os bloqueios nas ruas que dão acesso à região.

De manhã, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da Divisão de Capturas da Polícia Civil fizeram uma varredura no local de onde teriam partido os tiros. Eles revistaram casas, barracos e becos em busca de armas. Um homem foi preso - ele não estava armado. O ambulante R., que mora há dez anos numa travessa da Dona Emília, ouviu os disparos. "Foram poucos e todos no mesmo lugar. Acho que só a polícia atirou." A dona de uma banca na Rua Canitar, que mora próxima do teleférico da Fazendinha, disse que o tiroteio foi ali perto. Assustada, se jogou sob a cama. "Pensei que tinha começado tudo de novo."

Barricadas com sacos de terra e areia foram montadas nas Ruas Canitar, Dona Emília, Relicário e Lume das Estrelas. Os soldados permanecem entrincheirados durante a noite para evitar as balas. As revistas, que vinham se tornando mais rápidas, voltaram a ficar rigorosas e até uma bazuca foi apreendida. O armamento foi localizado por policiais militares do 3.º Batalhão no alicerce de uma casa, embrulhado em uma sacola de plástico.

Tensão. Os tiros da madrugada deixaram mais tensos os soldados que fazem o cerco ao complexo. No início da tarde, eles entraram em posição de tiro numa travessa da Rua Paranhos, depois de terem, supostamente, avistado homens com armas no Morro do Alemão.

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