José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Raio mata 1 no Guarujá e litoral norte alaga

Ajudante de obras estaria transportando porta de alumínio ao descer de barco; foram registrados vários deslizamentos na Rio-Santos

Reginaldo Pupo, ESPECIAL PARA O ESTADO

02 Fevereiro 2015 | 16h54

Atualizada às 21h05

SÃO SEBASTIÃO - As chuvas vêm causando transtornos em todo o litoral paulista. Só em São Sebastião choveu 265 milímetros entre a noite de sexta-feira, 30, e a manhã desta segunda, 2, o equivalente a três meses de precipitação, segundo a Defesa Civil, que decretou estado de alerta na região. No litoral sul, no Guarujá, um homem morreu atingido por um raio.

Pouco mais de um mês depois que quatro pessoas da mesma família morreram atingidas por uma descarga elétrica em Praia Grande, na Baixada Santista, a poucos quilômetros dali, no Guarujá, um homem também foi atingido por um raio na manhã desta segunda, na Praia do Góes. Segundo a prefeitura, Daniel Francisco dos Santos, de 33 anos, chegou sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Santo Amaro.

Conforme testemunhas, o ajudante de obras, que pescava nas horas vagas, estaria transportando uma porta de alumínio ao descer de um barco na faixa de areia. Ele estaria voltando do trabalho, na Praia do Góes, e seguia para a comunidade de Santa Cruz dos Navegantes. A vítima tinha uma filha de 9 anos. Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Estado de São Paulo lidera em mortes por raio no País, nos últimos 15 anos.

Levantamento. Em 2014, 98 pessoas morreram atingidas por raios no Brasil, de acordo com um levantamento divulgado nesta quinta-feira, 29, pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um centro de referência internacional no estudo sobre descargas atmosféricas. Com 17 vítimas, o Estado de São Paulo foi o que teve maior número de mortes, segundo o relatório.Em seguida, vêm o Maranhão, com 16, o Piauí, com 7 e o Amazonas e Pará, com 6 mortes cada.

As cidades que tiveram maior número de vítimas em 2014, de acordo com o relatório, foram São Paulo, com 5, Praia Grande (SP) com 4, e Pauini (AM), Wanderley (BA) e Igarapé Grande (MA), com 2. O relatório também mostra que, nos últimos 15 anos, a capital paulista foi a cidade com maior número de mortos por raios no Brasil - 25 ao todo. Até 2013, Manaus (AM), que terminou 2014 com 22 casos, liderava o ranking.

Entre 2000 e 2014, o Estado de São Paulo teve 288 mortes por raios, enquanto Minas teve 132 e o Rio Grande do Sul, 130.

Litoral norte. Na Praia de Juqueí, uma barreira caiu por volta das 22 horas de sábado. O deslizamento bloqueou a passagem de veículos em uma via sem saída e cerca de 20 famílias ficaram mais de 12 horas isoladas. Somente nesta segunda houve mais oito quedas de barreiras ao longo da Rodovia Rio-Santos, que corta o município. 

De acordo com o chefe da Defesa Civil, Carlos Eduardo dos Santos, técnicos do Instituto Geológico (IG), ligados à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, foram acionados para avaliar a situação do município. “O último desmoronamento (em Itatinga) comprometeu duas casas. Agora, os moradores de mais quatro casas provavelmente terão de desocupar os imóveis”, alertou.

Em Caraguatatuba, ruas foram alagadas e diversos trechos da Rodovia Rio-Santos também foram tomados pela água, dificultando o trânsito. No bairro Travessão, um conjunto residencial foi alagado e diversas famílias tiveram de ser alojadas em pousadas. Em Ubatuba, a Defesa Civil também registrou deslizamentos na Praia do Félix e no bairro Perequê-Açú. Choveu na cidade 49 milímetros em poucas horas, o equivalente a 20 dias de precipitação nesta época. De acordo com os meteorologistas, a previsão é de mais chuva forte na região até a madrugada de amanhã. 

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