'Rafael causou acidente', diz amigo de atropelador

Carona no carro que matou filho da atriz Cissa Guimarães, ele afirma que skatistas foram alertados por um grito, mas músico fez manobra brusca

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

O estudante identificado apenas como André, carona no carro que atropelou e matou Rafael Mascarenhas, de 18 anos, disse ontem à polícia que alguém em seu grupo viu e gritou algo para os skatistas momentos antes do acidente. Apesar da revelação, ele negou que os carros estivessem praticando racha ou trafegassem em alta velocidade. Afirmou que a vítima fez um movimento brusco na frente do carro e causou o atropelamento.

"Ele (André) não sabe quem gritou porque estava ouvindo o iPod", disse o advogado Paulo Márcio Ennes Klein. Filho da atriz Cissa Guimarães e do saxofonista Raul Mascarenhas, Rafael foi atropelado na pista sentido zona sul do Túnel Zuzu Angel, na Gávea (zona sul do Rio), que estava interditada para obras, na madrugada de terça.

Ele foi atropelado pelo Siena preto dirigido por Rafael de Souza Bussamra, de 25 anos. O Siena está registrado no Detran em nome de Roberto Martins Bussamra e tem quatro multas por excesso de velocidade, em 2009.

Momentos antes do acidente, o Siena passou pela pista ao lado, junto com um Honda Civic onde estavam Gustavo Miraldes Bulos e Gabriel de Souza Pinheiro, ambos de 19 anos. Klein também negou que os veículos estivessem em alta velocidade. "Meu cliente estava sem cinto de segurança. André teria sido projetado no caso de uma freada." Em depoimento na tarde de quarta-feira, os amigos da vítima reafirmaram que os carros disputavam um racha. Klein atribuiu à carroceria frágil o estado do carro do atropelador, que teve o vidro dianteiro quebrado, capô amassado, lanterna destruída e para-choque pendurado.

Pedido de desculpas. A cremação do corpo de Rafael, ontem, durou 20 minutos. Raul Mascarenhas chegou da França, onde mora, para participar da cerimônia. Muito abalado, ele criticou a ação dos policiais que liberaram o motorista e não preservaram a cena do crime.

O comandante-geral da Polícia Militar do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, em reunião com os 41 chefes de Batalhões do Rio, pediu desculpas públicas ontem e reconheceu o erro da corporação no caso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.