Rádios ilegais tentavam desviar rotas de trens em SP, diz PF

Interferência ocorria no sistema de comunicação da empresa de logística ALL, na região de Ourinhos

Solange Spigliatti, estadao.com.br

22 de agosto de 2008 | 16h09

A Polícia Federal identificou, na última sexta-feira, mais de 15 estações de rádio ilegais em Ourinhos, interior de São Paulo, capazes de invadir o sistema de comunicação da América Latina Logística (ALL) e enviar falsas ordens aos maquinistas da linha férrea, desviando a rota dos trens e colocando os passageiros e moradores da cidade em risco.   Gravações feitas pela PF mostram a interferência de operador particular de radioamador na operação de deslocamento dos trens e vagões que cruzam a área urbana da cidade, por onde trafegam diariamente quase 500 mil litros de álcool combustível e outros 250 mil litros de materiais inflamáveis.   Segundo informações da Agência Brasil, o vice-presidente da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão de São Paulo (Labre-SP), José Armando de Macedo Soares Júnior, "essas pessoas são criminosas, não deu para entender qual era a intenção delas", afirma.   Ele explica que as interceptações foram feitas por equipamentos de uso de radioamadores, mas quem os utilizava não pode ser considerado radioamador. "Para ser um radioamador, é preciso atuar apenas dentro da faixa estabelecida pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Mesmo tendo autorização, se utilizar a comunicação fora da faixa, é considerado clandestino", diz.   A Labre está auxiliando a Polícia Federal nas investigações, fazendo a intermediação das informações entre os radioamadores locais e as autoridades policiais. "Existe uma lei do silêncio na cidade, a pessoa que aparece nas gravações exerce grande influência ou temor nos moradores", diz Júnior. Para ele, ações como essas prejudicam a imagem dos radioamadores junto à sociedade.   Em trechos da gravação da interferência um homem reclama do apito do trem, que passa próximo à sua casa, e faz ameaças aos operadores. O clandestino não se intimida nem ao ser informado de que as conversas estavam sendo gravadas e seriam analisadas pela Polícia Federal. Durante a conversa, o operador da empresa alerta para o risco de um acidente por causa das interferências.   De acordo com o delegado responsável pela Operação Linha Cruzada, José Navas, foram identificadas interferências procedentes tanto de equipamentos clandestinos quanto de autorizados.   Durante o processo de fiscalização foi identificada uma estação de recepção de dados via sinais de rádio efetivamente operando em uma freqüência destinada a Marinha do Brasil, podendo ser alocada por esta e pela Anatel para o Serviço Móvel Marítimo, tão somente. O equipamento não tinha homologação da Anatel e operava sem licença desta Agência e da Marinha do Brasil. O serviço da estação foi imediatamente cessado e o equipamento apreendido.   A Polícia Federal de Marília está ouvindo dezenas de pessoas que podem estar envolvidas na comunicação clandestina. Os equipamentos foram enviados para a perícia e o delegado deve pedir a prorrogação do prazo de 30 dias estabelecido para a conclusão do inquérito. De acordo com Navas, a Operação Linha cruzada prossegue sob sigilo.   (Com Agência Brasil)

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