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Radar com defeito aplica mais de 17 mil multas indevidas em SP

Após reconhecer que equipamento apresentou falha ao calcular velocidade dos veículos, Prefeitura teve de cancelar infrações erradas

O Estado de S.Paulo

21 Julho 2016 | 15h17
Atualizado 21 Julho 2016 | 19h52

SÃO PAULO - Um radar com defeito, instalado na Avenida Marechal Tito, em São Miguel Paulista, na zona leste, aplicou 17.094 multas erradas em motoristas da capital paulista. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), admitiu a falha e afirmou que todas as autuações indevidas foram canceladas. É o recorde de anulações simultâneas de multas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrado na cidade.

Segundo o diretor de Planejamento da CET, Tadeu Leite Duarte, o radar apresentou problema na placa de controle e passou a calcular errado a velocidade dos veículos que passavam pela via. O limite permitido é de 40 km/h no local. “São pequenas falhas, falhas momentâneas”, afirmou. “Em um universo 8 milhões de multas, 17 mil é quase nada.”

O equipamento está localizado no trecho entre as Ruas Manoel Osório e da Maçonaria, ao lado da faixa exclusiva de ônibus à direita. As autuações erradas ocorreram entre os dias 29 de outubro e 9 de novembro de 2015, conforme informou a Folha de S.Paulo.

Só neste ano, a Prefeitura de São Paulo já teve de cancelar cerca de 27 mil multas geradas por radares com defeito, segundo afirma o diretor de Planejamento da CET. De acordo com ele, as ocorrências são distribuídas pelas regiões, não havendo concentração em alguma área.

Reclamação. No caso do radar na Marechal Tito, o problema foi descoberto após motoristas de ônibus receberem multa mesmo dirigindo dentro da velocidade permitida. "Eles passavam em uma velocidade mas o radar mostrava outra", disse o presidente do Sindicato dos Motoristas e Funcionários do Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), Valdevan Noventa.

A categoria enviou ofício para a Secretaria Municipal de Transportes e conseguiu provar que o radar calculava errado a velocidade dos veículos. O problema foi confirmado após auditoria específica no equipamento.

Noventa afirma que alguns motoristas chegaram a pagar por infrações que não cometeram. "Teve companheiro que não deu tempo de cancelar. Ele pagou e, agora, a gente está fazendo a discussão com a Secretaria", disse. "Com outros, a gente brigou com a empresa, não deixando que eles assinassem as multas."

Ressarcimento. O prefeito Fernando Haddad afirmou nesta quinta-feira, 21, que a administração municipal vai ressarcir eventuais cobranças indevidas. "É uma solução técnica e, no meu entendimento, simples. Houve falha do equipamento, então você faz a devolução de quem, por ventura, tiver recolhido a multa."

Tadeu Leite Duarte afirma que o motorista precisa da confirmação de cancelamento da multa para receber o dinheiro de volta. “Ele cadastra a conta bancária (no site da Secretaria Municipal de Finanças) e o ressarcimento é quase imediato”, disse.

O diretor de Planejamento da CET também afirma que a empresa responsável pelo radar será alvo de sanção e que são feitas auditorias diárias nos equipamentos da cidade. “Quando o número de multas cresce muito, a própria empresa liga o sinal de alerta”, disse.

 

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