Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Racionamento de água é 'próxima opção', diz secretário estadual

Segundo Benedito Braga, medida será adotada caso redução de pressão não diminua o consumo; conta pode aumentar futuramente

Rafael Italiani e Stefânia Akel , O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2015 | 12h34

Atualizada às 20h27
SÃO PAULO - O secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, disse nesta sexta-feira, 6, que o racionamento é a “próxima opção”, caso a redução da pressão na rede e outras medidas adotadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) não consigam reduzir o consumo de água. Além disso, admitiu que a companhia estuda um aumento de tarifa. Abril é a data-base para o aumento.
As afirmações foram feitas durante uma palestra sobre a crise hídrica, na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio). “Rodízio é uma forma de redução de consumo que eu, como técnico, sempre critiquei. A Sabesp preferiu usar o método de redução de pressão. Mas em uma situação em que a redução de pressão não é suficiente, a próxima opção é um sistema de rodízio. Se vai ser implementado amanhã ou depois, eu não sei”, disse Braga. Durante o evento, o secretário apresentou números da crise e projetos já divulgados pelo governo do Estado, visando a aumentar a produção de água dos Sistemas Guarapiranga, Alto Tietê e Rio Claro.
Ainda sobre o racionamento, usou um tom pessimista. “Nós temos de estar preparados para uma situação muito difícil”, afirmou. “Não posso garantir nesse momento que vai ter (rodízio). Se nossos estudos levarem à conclusão de que essa é a alternativa tecnicamente necessária, a população será avisada.”

Braga declarou ainda que, caso os meses de fevereiro e março sejam chuvosos a ponto de recuperar parte dos reservatórios que esvaziaram durante a crise, o corte no fornecimento não precisará ser adotado. Nesta sexta, o nível do Cantareira subiu 0,2 ponto porcentual, chegando a 5,4%.
Com o volume de chuva (25,3 milímetros), a pluviometria acumulada do mês saltou para 80,1 milímetros, o que representa cerca de 88% a mais do que a média histórica de fevereiro - que prevê 7,11 mm por dia.
O secretário também falou na Fecomercio sobre o Aquífero Guarani. Ele poderá ser usado apenas para abastecer o interior, uma vez que o custo para trazer a água para a Grande São Paulo é muito alto.
Conta mais cara. O secretário disse que as medidas para reduzir o consumo de água, como o bônus para quem consegue economizar e a redução da pressão, causaram prejuízos para a Sabesp e, sem adiantar uma data, admitiu aumento da conta de água.
“A companhia tem de ter capacidade de investir e fazer obras novas. Para fazer isso, tem de ter uma situação financeira adequada”, explicou. “Vamos trabalhar com uma estrutura tarifária progressiva. Estamos trabalhando para equacionar essa questão.”
Transparência. Braga foi cobrado por representantes da Fecomercio e pela população em geral sobre a “falta de transparência” do governo em relação à crise e sobre como o Estado trataria a “comoção popular” que se daria com um possível rodízio de água. O secretário respondeu que não é um político, mas um técnico, e o governo está fazendo o que tem ao seu alcance.
“Nós estamos estudando todas as alternativas no sentido de impedir que o Sistema Cantareira ou que o Sistema Alto Tietê se esvazie. Não estou aqui para conversar de política.” / COLABOROU FELIPE RESK

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