R$ 3 bi depois, por que o Rio Tietê continua tão sujo?

Mesmo com investimentos, 33 bairros ainda despejam parte de seu esgoto no rio, entre eles Morumbi, Vila Mariana e Ipiranga

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

 

 

Na semana passada, mais de 300 pessoas confirmaram presença pelo Facebook no "Mergulho no Tietê", um evento criado virtualmente pelos internautas para servir de "ultimato para a despoluição do Rio Tietê e seus afluentes". O protesto está marcado para às 15 horas de quinta-feira, dia 12 de novembro... de 2021. Parece longe, muito longe, mas na realidade essa espera de dez anos não é lá muito tempo perto das décadas de promessas e investimentos desperdiçados na limpeza do Tietê.

Afinal, algum paulistano minimamente realista acredita que o rio mais importante de São Paulo estará pronto para receber banhistas em um futuro próximo? Tendo em vista que já foram gastos R$ 3 bi no tratamento do Tietê, a resposta não parece ser muito otimista.

O rio que teve grande importância na história de São Paulo, permitindo a interiorização da colonização, é desde 1970 uma lenta massa de água fétida. Para se ter ideia, 33 bairros ainda despejam parte de seu esgoto no rio, entre eles Morumbi, Vila Mariana e Ipiranga. Na Região Metropolitana, 16 cidades apresentam o mesmo problema, enquanto na Bacia do Tietê quase 250 prefeituras pouco investiram na proteção do Tietê. É mais sujeira de esgoto do que água do rio, simples assim.

Para entender a dimensão de tantos entraves, o Estado conversou com especialistas para apontar os gargalos e as boas ideias que já foram adotadas por outras metrópoles. "O Tâmisa, em Londres, demorou décadas para ser limpo, mas hoje ele tem vida", diz o engenheiro alemão Ralf Steeg, articulador do programa de limpeza do Rio Spree, em Berlim. "É possível revitalizar os rios urbanos, desde que haja vontade política. É uma questão de melhorar a qualidade de vida da cidade."  

 

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