Quinze trechos mais perigosos de rodovias federais somam 302 mortes

Pontos mais críticos, apontados pela PRF, representam somente 0,5% da malha federal e ficam próximos de aglomerações urbanas

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

17 Março 2010 | 00h00

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) mapeou 15 trechos de rodovias federais considerados os mais perigosos do País. Juntos, esses pontos representam apenas 0,5% da malha federal, mas no ano passado foram responsáveis por 302 mortes nas estradas.

Os números apontam também uma mudança de paradigma: se antes os acidentes estavam ligados a rodovias esburacadas, sem acostamento e com curvas tortuosas, esse ranking mostra que o perigo maior está ao lado das cidades, em locais aparentemente seguros.

As constatações fazem parte do Mapeamento Nacional de Pontos Críticos, recém-concluído pela PRF. O ranking dos trechos mais perigosos foi elaborado com base na quantidade de acidentes com morte ocorridos em 2009, divididos em extensões de 20 km. Com exceção de um único ponto - na região de Tijucas do Sul, zona rural do Paraná -, todos os demais estão em áreas urbanizadas, principalmente ao lado das capitais.

"O estudo mostra que aquela história de que acidentes nos trechos urbanos só provocam prejuízo é furada", diz o inspetor da PRF Alexandre Castilho. A corporação atribui o aumento de acidentes graves próximos das cidades ao crescimento populacional. "Muitos trechos de rodovias viraram avenidas. Também houve uma melhora nas condições das rodovias e muitas pessoas levam isso como estímulo para exceder a velocidade."

Concentração. O levantamento da PRF aponta que os trechos mais perigosos estão espalhados por dez Estados brasileiros. Eles foram responsáveis por 284 acidentes com mortos no ano passado. À primeira vista, o número pode parecer pequeno em relação ao total de casos estimados pela PRF, pelo menos 6,5 mil. No entanto, eles se concentram em 300 km e a malha rodoviária federal é superior a 56 mil km.

Dois trechos das federais de São Paulo aparecem na lista, ambos na Rodovia Presidente Dutra, e em sequência, na Grande São Paulo. Juntos, foram responsáveis por 36 mortes em 2009.

"As áreas das grandes metrópoles são perigosas. Muitos motoristas estão chegando e, por isso, relaxam", diz o diretor-científico da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), José Montal.

"Campeão". O trecho mais perigoso está entre os km 0 e 20 da BR-316, em Ananindeua (PA), na Grande Belém. A rodovia federal é a principal ligação entre as cidades e, no ano passado, aconteceram ali 34 acidentes graves, com 36 mortes.

Na sequência, aparecem dois trechos em Santa Catarina, Estado com maior número de pontos perigosos no ranking: três. Os dois estão na BR-101, principal corredor para os turistas que visitam as praias do Sul do País. Apenas na região de Balneário Camboriú, 26 pessoas morreram no ano passado - a maior parte, vítima de atropelamento.

"É uma rodovia federal usada como avenida, por pessoas que entram nela em um ritmo mais lento, enquanto outros ao lado andam com excesso de velocidade", diz o inspetor Luís Carlos Padilha, superintendente substituto da PRF na região. "Além disso, não há muitas passarelas e as pessoas atravessam correndo."

O outro ponto crítico catarinense está em São José, na Grande Florianópolis. No resto do País, eles estão espalhados por Rio, Ceará, Minas Gerais (Estado com a maior malha federal do Brasil), Paraná, Pernambuco, Goiás e Rio Grande do Sul.

PREVINA-SE

Dicas para evitar acidentes

Atropelamentos

Reduza a velocidade nos trechos urbanos, mesmo em locais onde há passarelas. A PRF detectou que muitos acidentes acontecem onde há esse dispositivo

Colisões traseiras

Aproximadamente 75% das colisões entre os veículos são traseiras e, geralmente, na faixa rápida. Por isso, a PRF aconselha que os motoristas somente utilizem a faixa da esquerda para as ultrapassagens e não para o tráfego normal

Motociclistas

Evite trafegar em velocidade nas faixas da direita, quando perto das cidades. Essas vias viraram "avenidas", o que atrai motos, que as utilizam em um ritmo mais lento e percorrendo pequenos trechos

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