Questões de Matemática são as que mais exigem dos candidatos

Em vez de pré-sal ou manifestações nas ruas, assuntos mais atuais, prova pediu que candidatos discutissem os impactos da legislação

O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2013 | 02h07

Enquanto o tema da redação ganhou elogios dos candidatos, a prova de Matemática foi considerada a mais difícil e cansativa no segundo dia, com questões que envolviam lucro e porcentagem, conhecimentos sobre logaritmo e conversão de unidades.

Para Mayra Santana, de 17 anos, que pretende ingressar em uma faculdade de Ciências Biológicas, a parte de Matemática foi "complexa". "Estava muito difícil e me atrapalhei um pouco", lamentou, ao sair da Unip de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Na Unip da Água Branca, também na zona oeste, Milena Tawane, de 17 anos, comentou que achou a prova de ontem mais difícil do que a de sábado. "Não me dou bem com números. Tive de chutar", confessou.

No entanto, o diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, considerou a prova de Matemática melhor do que a de outras edições do exame. De acordo com ele, as questões não tinham contas tão complexas quanto as de Física e Química, mas tomaram tempo significativo do aluno. O ponto positivo, para ele, foi a contextualização dos exercícios. "Não existe mais nada forçado, como em anos anteriores", elogiou.

A prova de Português teve "textos charmosos e interessantes", segundo Luís Ricardo Arruda, coordenador geral do Anglo Vestibulares. Uma das questões incluía texto do cantor Gabriel, o Pensador. O professor, no entanto, criticou a facilidade de responder a algumas questões por eliminação. "As alternativas erradas são óbvias, muita gente acerta com pouquíssimo conhecimento de conteúdo."/ JULIANA DIÓGENES, LUISA ROIG MARTINS, LUIZ FERNANDO TOLEDO, MEL BLEIL GALLO e SARAH BRITO, ESPECIAL PARA O ESTADO

Lei seca na redação do Enem surpreende

A redação desta edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que teve como tema os impactos da lei seca no Brasil, surpreendeu boa parte dos candidatos e professores de cursinhos, que esperavam assuntos recorrentes nos jornais dos últimos meses, como pré-sal, manifestações ou a visita do papa. Enquanto os alunos acharam a prova fácil, professores disseram que o tema é "a cara do Enem", que costuma discutir questões ligadas à cidadania e aos direitos humanos.

Na opinião da professora de redação do cursinho da Poli Caroline Andrade, o tema desta edição foi mais fácil do que o do ano passado, que tratou de movimentos imigratórios no Brasil. "Conseguimos perceber o efeito da lei seca em todos os cantos da cidade, sejamos pedestres ou motoristas", diz.

O diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, concorda que o assunto não ofereceu grandes dificuldades aos alunos. "Esse debate discute o que é mais importante: o indivíduo ou a sociedade?". O professor criticou o material de apoio que acompanhou o enunciado da redação. "Só havia textos de órgãos públicos. Parecia propaganda do governo."

Para a professora de Língua Portuguesa do Objetivo Elisa Massaranduba, mais importante do que a lei seca era discutir seus desdobramentos. "Se o aluno fez boa leitura dos textos, ele percebeu que pouca coisa mudou depois da lei, que não teve o efeito desejado", aponta.

Palpites. A candidata de Sorocaba Fernanda de Carvalho, de 18 anos, foi uma das poucas a acertar o tema escolhido pelo Ministério da Educação (MEC)para o Enem. Ouvida pelo Estado anteontem, a adolescente arriscou quatro prováveis assuntos para a prova: lei seca, protestos nas ruas, pré-sal ou censura às redes sociais. A aluna, inscrita no Enem pela segunda vez, conta que pesquisou muito sobre o que poderia ser cobrado.

A maioria dos alunos se surpreendeu com a escolha do tema. "Deveria ser um assunto mais polêmico, atual. Vimos e ouvimos sobre as manifestações quase 24 horas por dia nos últimos meses", reclamou a estudante de Campinas Larissa Barbieri, de 18 anos.

Já para Rafael Rodrigues, que fez a prova como treineiro, o tema da redação mostrou que é necessária dedicação extra para 2014. "Quero estudar mais. Era difícil argumentar no texto", relata o jovem, de 16 anos.

Abordagens. Conscientização, rigor no cumprimento das leis e saúde pública foram três dos principais motes escolhidos pelos candidatos para discutir a lei seca na redação. "Falei dos reflexos biológicos que o álcool provoca e da diminuição de acidentes após a lei", conta Estela Grieco, de 17 anos, que fez a prova na Barra Funda, na zona oeste da cidade. Ela, que pretende cursar Biologia, também defendeu em seu texto o uso da "carona amiga".

A professora de redação Ângela Maioli, de 30 anos, que fez o Enem para incentivar seus alunos, elogiou a reflexão propiciada pelo tema. "Escrevi que somos produto de uma sociedade punitiva, que precisa de leis que norteiem o comportamento", disse. De acordo com ela, a redução do uso de leitos hospitalares e campanhas educativas de conscientização eram boas possíveis abordagens. / BÁRBARA FERREIRA SANTOS, JOSÉ MARIA TOMAZELA, LAURA MAIA, MARINA AZAREDO, PAULO SALDAÑA, VICTOR VIEIRA, ANTONELLA ZUGLIANI e GUILHERME SOARES DIAS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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