'Quero sair, mas não tem verba'

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2011 | 00h00

Ariane em seu barraco, no Feijão.

 

Além do sonho de se casar com Luiz Alberto Camargo da Silva, com quem mora em um barraco que mal fica em pé e mistura tijolo, pedaços de madeira e carpetes pendurados, a estudante do 9.º ano do ensino fundamental Ariane Cristina da Conceição Sá Lima, de 18 anos, tem planos de morar "mais lá para baixo" no Morro do Borel. Com lixo por todo lado no terreno da localidade de Feijão, classificada como "Cinturão" pela UPP Social, Ariane e o noivo têm na casa um sofá esgarçado, uma cama de solteiro, dois ventiladores, uma televisão antiga e duas cômodas improvisadas. Bichinhos de pelúcia surrados enfeitam a sala-quarto, separada por uma cortina do cubículo onde fica a mistura de cozinha, banheiro e área, com uma geladeira enferrujada e um tanque de plástico.

As casas no Feijão são tão ou mais pobres do que na Ladeira do Moreira. A diferença é que o acesso não é tão difícil. "Quero sair dessa casa, mas não tem verba", diz Ariane, que depende de uma colaboração mensal de R$ 60 do pai, açougueiro, e da ajuda do noivo, que recebe R$ 360 mensais pelo trabalho na horta comunitária do Borel.

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