'Quero que feche para sempre', diz mãe de menina que morreu no Hopi Hari

Família da garota de 14 anos que caiu de brinquedo em parque vai pedir indenização de R$ 3 milhões; para advogado, houve homicídio intencional

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

02 Março 2012 | 03h02

A família de Gabriella Yukari Nichimura defende que o Hopi Hari fique "fechado para sempre" e pretende pedir à administração do parque indenização de R$ 2 milhões. Segundo o advogado da família, Ademar Gomes, a família ainda deve requerer algo em torno de R$ 1 milhão à prefeitura de Vinhedo por danos morais, porque considera inadmissível que a cidade abrigue "um parque desse porte sem que o estabelecimento passe por manutenção adequada".

A família de Gabriella mora no Japão há 19 anos e há nove não vinha ao Brasil. Gomes explicou que os danos materiais se referem às despesas com o enterro e a estadia da família no País por mais tempo que o inicialmente previsto - a passagem de volta estava comprada para o dia 17 de março -, embora eles ainda não saibam se vão ficar até a conclusão do inquérito. Criminalmente, o advogado acredita em homicídio intencional. "Eles sabiam que aquele brinquedo não poderia ser utilizado."

Sem sinalização. Durante entrevista coletiva concedida na tarde de ontem, no escritório do advogado, os pais foram enfáticos ao dizer que não havia nenhuma sinalização de que a cadeira em que Gabriella sentou estivesse quebrada, desativada ou interditada e em momento algum a adolescente sentiu qualquer tipo de resistência para tomar o assento naquela cadeira específica. Um garoto que também usava o brinquedo chegou a dizer que Gabriella teria pedido ajuda para travar o brinquedo. Silmara desmentiu a afirmação e informou que ela costumava se comunicar com os familiares em japonês porque falava pouco português.

Segundo os pais, a família planejou uma viagem a vários Estados brasileiros e escolheu começar o passeio em um parque de diversões, onde Gabriella e a prima, também de 14 anos, queriam se divertir. "Elas estavam muito felizes. Quando abriram os portões, ela e minha sobrinha entraram correndo, colocaram o chinelinho no cestinho ao lado, sentaram na cadeira e baixaram a trava. Eu e meu marido ocupamos as cadeiras disponíveis ao lado delas", contou. "Eu ainda perguntei: 'Está todo mundo travado?' Elas responderam que sim. Eu perguntei de novo, sobre o segundo fecho, e a Yukari (como a mãe se refere à filha) disse que não tinha", relatou. "Aí eu ouvi a voz de um funcionário, cujo rosto eu não consegui ver, dizendo que era seguro, mesmo sem o outro fecho."

Assim que Gabriella caiu, o casal, que é evangélico, correu para perto da menina e começou a rezar. "Nós acreditávamos em um milagre, achávamos que ela ia levantar." Segundo ela, os paramédicos e enfermeiros que resgataram Gabriella não permitiram que ela a acompanhasse na ambulância até o hospital. "Eu gostaria que o parque fosse fechado para sempre. Mas eu tenho certeza absoluta de que isso não vai acontecer", desabafou. "Se uma cadeira estava ruim, já está errado. E se nós quatro tivéssemos morrido?"

De acordo com os parentes da vítima, o parque não tem oferecido nenhum apoio ou consolo nos últimos dias. Representado por duas funcionárias, que acompanharam a família até o hospital, o parque se manifestou apenas durante o dia do acidente. "Um médico se ofereceu para abrigar minha filha menor, de 7 anos, na casa dele, porque percebeu a situação em que estávamos", contou Silmara. "Ao ouvir isso, o pessoal do parque se apavorou e resolveu acompanhar minha cunhada e minha filha pequena a um hotel."

Depois disso, ainda de acordo com a família, as moças os acompanharam à delegacia e na liberação do corpo. Não houve mais contato entre as partes. "O que ainda dói muito no meu coração é que no dia do enterro da minha filha o parque estava aberto", disse a mãe da adolescente, Silmara Nichimura. "Eu acho que isso é muita falta de respeito com minha filha e com a sociedade."

Sem segurança. Ela ainda questionou o procedimento de segurança usado nos parques brasileiros. "Eu já fui a vários brinquedos no Japão. Lá, sempre vem um funcionário, checa cada brinquedo - isso, é claro, faz com que demore um tempo maior. Aqui foi tudo muito rápido, a gente sentou e já subiu", contou ela. "Isso é procedimento no Brasil, ou no Hopi Hari?", perguntou.

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