Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

'Quero pedir perdão. Foi um mal súbito'

Rapaz que atropelou mulher no Aeroporto de Congonhas pagou fiança e negou ontem intenção de matar; polícia afirma que ele estava embriagado

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2012 | 02h02

O assistente técnico Wagner Alves Alvarenga, de 23 anos, afirmou que teve um mal súbito antes de atropelar e matar a cuidadora de idosos Clarice da Costa, de 56, na madrugada de sábado, na calçada da área de embarque do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Segundo a polícia, Alvarenga estava embriagado e, por isso, perdeu o controle do carro. Ele foi indiciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar).

O atropelamento aconteceu às 5h30 e foi flagrado por câmeras de segurança do aeroporto. Alvarenga voltava de uma festa de confraternização da empresa onde trabalha quando perdeu o controle do Honda Civic e invadiu a calçada, atingindo Clarice e a filha, Camila Turolla. Clarice, a filha, o genro e o neto pegariam um voo para Florianópolis. A família é de Piracicaba.

"Não tive a intenção, nunca, de matar ninguém. Não saí da minha residência para matar ninguém. O que aconteceu comigo foi um mal súbito", disse o assistente técnico, ontem, logo depois de assinar um termo de comparecimento no Fórum Mário Magalhães, na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Pelo documento, ele se compromete a comparecer em juízo, quando solicitado, e a não se ausentar da cidade sem autorização. Para ganhar a liberdade provisória, Alvarenga pagou uma fiança de R$ 12.440. O atropelador passou dois dias e meio na cadeia (foi liberado anteontem, às 19h).

O assistente técnico afirmou também que não estava embriagado quando atropelou a cuidadora de idosos. "Eu bebi tão pouco, constou no exame que a porcentagem (concentração de álcool) era muito baixa. O que aconteceu comigo foi realmente um mal súbito. Eu apaguei. Eu não tive controle de nada."

Alvarenga afirmou ontem que nunca teve problemas na direção. "Minha habilitação não tem nenhuma infração de trânsito, eu sempre dirigi corretamente."

O assistente técnico disse também que não está conseguindo dormir. "Estou à base de remédios. Minha família está abalada. Eu não tenho histórico nenhum na polícia, contra ninguém."

Alvarenga ainda não entrou em contato com a família de Clarice, mas pretende pedir desculpas. "Peço perdão mais uma vez à família, à dona Clarice, que faleceu, e que não posso trazer de volta. Vou ter que carregar isso para o resto da minha vida. Isso está sendo muito difícil para mim", afirmou.

Segundo o advogado de Alvarenga, Hednilson Fitipaldi Farias de Vasconcelos, o exame feito após o atropelamento apontou uma concentração de álcool no sangue acima do permitido por lei (0,28 dg/l de sangue), mas abaixo do que é considerado crime. "Óbvio que, diante do mal súbito, ele não sabe dizer o que propriamente aconteceu, mas o pé pressionou o acelerador, inconscientemente, por isso a velocidade. Embora ainda não haja um laudo sobre isso."

Questionado se Alvarenga se prontificou a colaborar com a família de Clarice, Vasconcelos disse que ainda não houve um contato. O advogado afirmou que foi necessária a colaboração de parentes e amigos do assistente técnico para pagar a fiança. Além do homicídio doloso, Alvarenga foi indiciado por uma tentativa de homicídio contra a filha da cuidadora de idosos.

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