Quer inspiração para seu jardim? Corra até o MAM

Com criações de artistas brasileiros e europeus, festival francês só abre amanhã, mas já atrai a atenção de quem passa no Ibirapuera

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2010 | 00h00

Mesmo antes de sua inauguração, marcada para amanhã, às 10 horas, o Festival de Jardins do Museu de Arte Moderna de São (MAM) já atrai a atenção dos visitantes no Parque do Ibirapuera. Com suas câmeras, eles registram as formas e cores dos nove jardins instalados no entorno do museu. Com 200 m² cada, as criações de artistas e paisagistas franceses e brasileiros integram a primeira versão do Festival Internacional de Jardins de Chaumont-sur-Loire fora da França.

O alimento, tema do festival, inspirou os autores. Do mandacaru da caatinga ao ideograma oriental que representa o cereal, cada um traduziu a seu modo a alimentação, seja para o corpo ou o espírito. Há exemplos coloridos, como o Arpoador, jardim de girassóis da artista carioca Beatriz Milhazes, e outros mais neutros e de conotação mais política, como o Pomar Sufocado pelo Campo, no qual árvores frutíferas são circundadas por um milharal - do paisagista francês Louis Benech.

A obra de Maro Avrabou e Dimitri Xenakis é um jardim-horta de espécies comestíveis plantadas em latas fixadas em estantes. Cada lata tem a foto - tirada por eles - da espécie e o nome científico. "É uma mistura de biblioteca viva com supermercado", explica Xenakis.

Mostra. Reconhecido como um dos mais importantes eventos de paisagismo do mundo, o festival francês é organizado desde 1992 pelo museu Domaine de Chaumont-sur-Loire, na região central da França. Segundo o curador do festival no MAM, Felipe Chaimovich, o diferencial brasileiro é a interação dos jardins. "Em Chaumont, os jardins são separados por cercas vivas, como se estivessem isolados em salas próprias. Aqui criamos diálogos entre eles."

Ao percorrer os jardins com o Estado, a presidente do MAM, Milú Villela, contou que a ideia surgiu de uma visita ao festival francês. "Estive em Chaumont e me apaixonei pelos jardins. Falei com o Felipe e ele foi, viu e também se apaixonou."

A preparação do evento, feito em parceria com o museu francês e a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, começou há dois anos. A curadora Chantal Colleu-Dumond, diretora do Domaine, elegeu seis autores ou duplas europeias já consagradas no paisagismo, enquanto o MAM escolheu três artistas brasileiros para criar seus primeiros jardins - além de Beatriz Milhazes, participaram Pazé e Ernesto Neto, em parceria com a mãe. "É uma inovação total na carreira deles, abre uma nova porta", diz Milú. Todos os criadores tiveram ajuda dos alunos do Projeto Crescer, escola municipal de jardinagem do parque, para o plantio de plantas.

DICAS DE ARTISTAS

Simplicidade

"O melhor é ser simples e focar na hora de escolher as plantas, A mistura, se você não é profissional, requer equilíbrio. Se misturar sem saber, pode ficar confuso e perder a beleza individual de cada uma."(Beatriz Milhazes)

Cores e ousadia

"Em vez de vasos convencionais, use outra coisa. Pode ser lata, panela e até uma banheira. A criatividade está em mudar a função dos objetos. Outra dica é ter muita cor, tanto nos recipientes quanto nas plantas." (Maro Avrabou e Dimitri Xenakis)

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