Quer fazer turismo em SP? Melhor ir de carro

Muitos pontos de interesse são pouco servidos pelo transporte público

MÁRCIO PINHO, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h02

O turismo em São Paulo segue a lógica da cidade e coloca o automóvel como principal opção para ir a vários pontos de interesse. O Parque do Ibirapuera, na zona sul, por exemplo, que recebe até 130 mil pessoas nos fins de semana, não tem acesso direto de metrô nem trem - só por ônibus. As vagas de Zona Azul no entorno do parque são disputadas. Caso semelhante ocorre no Anhembi, que tem metrô a 1,5 km de distância.

Gringos e brasileiros de outras cidades tentando entender como chegar aos pontos turísticos são um quadro comum em albergues e hotéis paulistanos.

A cidade é bem servida de transporte de massa em dois pontos estratégicos para o turismo: a Avenida Paulista, onde estão o Masp e a Casa das Rosas, entre outros pontos, e o centro, que tem o Pátio do Colégio e a Catedral da Sé.

Mas a escassez de opções em áreas mais periféricas, enfrentada nos deslocamentos diários pelos paulistanos, reflete-se no turismo. O Parque Burle Marx (zona sul) é de difícil acesso. Perto dali, a Ponte Octavio Frias de Oliveira, um cartão-postal recente, pode ser admirada por quem passa de carro, já que não há passeio para pedestre. O automóvel também é uma opção comum para chegar ao Jardim Botânico, à Freguesia do Ó e a bares e restaurantes da Vila Madalena.

A publicitária de Adamantina (interior de São Paulo) Letícia Luthor, de 22 anos, que estava hospedada ontem em um albergue em Pinheiros, na zona oeste, diz que prefere os locais que pode visitar a pé. "Ando pela Oscar Freire (nos Jardins) e pela Paulista. Não quero gastar com táxi."

Outro hóspede, o australiano James Murray, de 26 anos, decidiu ir ao Parque do Ibirapuera por causa da carona de uma amiga brasileira. "O metrô é bom, mas não vai a todos os lugares", diz ele, para quem é difícil entender os itinerários dos ônibus (cheios de números e letras).

O diretor de Ações Estratégicas da SPTuris, Luiz Sales, avalia que os principais pontos estão servidos de transporte público. Se a comparação for com cidades europeias como Paris, que já investem há mais tempo em transporte público, São Paulo está defasada, admite. Contudo, prevê que os investimentos feitos hoje na capital trazem boas perspectivas. Uma das iniciativas em curso é a criação de um guia com informações sobre transporte na cidade aos turistas. Já foram instaladas 720 placas de trânsito com informações turísticas.

Também há ações do governo estadual. O Metrô tem planos de erguer estações em locais de interesse turístico, como o Estádio do Morumbi.

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