Quem voltar a área de risco de PE será preso

'Tem gente que é muito teimosa', justifica prefeito; mortos pela chuva chegam a 57

Angela Lacerda / RECIFE, Ricardo Rodrigues / MACEIÓ, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 00h00

Dano. Efeitos do Rio Canhoto em São José da Laje, Alagoas. Os desabrigados terão de ser colocados em barracas do Exército      

 

Em meio ao reinício da limpeza das cidades pernambucanas de Palmares e Água Preta, atingidas anteontem por uma segunda enchente do Rio Una em 11 dias, os prefeitos querem impedir que moradores de áreas baixas - e, portanto, de maior risco - retornem ao que restou das moradias arrasadas pelas cheias. "Vamos usar força policial e prender quem resistir", garantiu Eduardo Coutinho (PSB), prefeito de Água Preta. "Tem gente que é muito teimosa."

 

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As chuvas mataram 20 pessoas em Pernambuco e deixaram mais de 82 mil fora de suas casas. Em Alagoas, subiu de 34 para 37 o número de mortos nas enchentes. Mais de 181 mil foram afetadas. Os dois Estados somam 57 mortos.

Com um terço da população de 30 mil habitantes atingida pela enchente, Água Preta terá de ser reconstruída em uma área livre de risco. De acordo com Coutinho, o governo estadual já desapropriou 219 hectares com esse objetivo. A intenção é abrigar os moradores em barracas do Exército durante a obra de reconstrução das casas.

Em Palmares, que também teve área desapropriada pelo governo estadual para reconstrução, o prefeito José Bartolomeu de Almeida Melo (PDT) espera a instalação de 500 abrigos do Exército. "Parte do povo quer voltar, mas vai ter de ter paciência", disse. Segundo ele, a ordem dos governos federal e estadual é não deixar áreas de risco serem reocupadas.

Mais vítimas. Segundo boletim divulgado ontem pela Defesa Civil de Alagoas, as três novas vítimas são de União dos Palmares, a 80 km de Maceió, e estavam desaparecidas desde a grande enchente da semana passada. Ainda segundo a Defesa Civil, o Estado tem 69 desaparecidos. Quinze cidades decretaram estado de calamidade pública, quatro estão em situação de emergência e 28 registraram prejuízos causados pelas enxurradas.

Em Branquinha, a 69 km da capital, o Corpo de Bombeiros resgatou 150 sem-terra que estavam ilhados na zona rural do município. Eles disseram aos bombeiros que estavam havia mais de uma semana à espera de socorro. Alguns comeram barro para não morrer de fome. Os bombeiros disseram que ninguém precisou ser hospitalizado. Em Murici, a parte baixa da cidade continua sem energia nem água.

Mais verba. O chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, visitou áreas atingidas em Alagoas ontem.

Alagoas e Pernambuco também poderão receber do Ministério dos Transportes mais de R$ 70 milhões para recuperação das rodovias danificadas pelas chuvas, segundo informou ontem a assessoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O decreto para liberação dessa verba deve ser assinado ainda nesta semana. / COLABOROU SOLANGE SPIGLIATTI

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