Quem trabalha nas ruas tem poucas perspectivas

Sonhos tomam forma quando os jovens conseguem ingressar em empresas

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h10

"Ainda não tenho nenhum sonho", diz, desviando o olhar, José Welington da Silva, de 17 anos. Desde os oito anos ele trabalha com malabarismo em semáforos de Osasco e São Paulo. Foi o irmão mais velho que ensinou a ele o malabarismo com bolinhas de tênis, que o rapaz manipulava com grande habilidade ontem em uma esquina no Alto da Lapa, em São Paulo, local que frequenta às sextas-feiras, sábados e domingos.

A cada dia de trabalho ele consegue cerca de R$ 100 nas ruas, dinheiro que usa para ajudar a família. Ele parou de estudar há três anos, assim como Izael Francisco de Lima, de 16 anos, que o acompanhava ontem na mesma esquina. "Brincar, a gente não brinca. Mas trabalhar aqui no farol é também uma diversão", diz Izael, que começou a trabalhar com 14 anos carregando compras em um supermercado de Osasco. "Não sei o que pensar do futuro, mas quero uma vida melhor."

Fora das ruas, adolescentes que começaram a trabalhar ainda crianças têm mais perspectivas para o futuro. Maycon Douglas da Cruz, de 16 anos, trabalha lavando carros desde os 13 anos. "Nunca fui de brincar muito, sempre fui caseiro. O que eu mais senti quando comecei a trabalhar foi cansaço. Doía muito os braços, de tanto lavar carro."

Com o dinheiro que ganha trabalhando no lava-rápido M.F. Estética Automotiva, no bairro do Limão, na zona norte, ele ajuda a colocar dinheiro em casa para dar apoio aos seus seis irmãos.

Além disso, ele traz para o trabalho o irmão mais novo, de 14 anos, para ajudar nos fins de semana e nos dias em que ele não tem aula.

"Estou conseguindo poupar um pouco do que eu ganho porque eu quero mesmo é ser dono do meu próprio lava-rápido um dia", conta ele, com esforço para vencer a timidez. Ele estudou apenas até a quinta série do ensino fundamental.

Já Letícia Claro Vidal, de 16 anos, continua firme nos estudos porque seu sonho é ser artista de televisão. Ela trabalha no mesmo lava-rápido que Maycon. "Tive de parar de brincar e trabalhar para ajudar em casa", diz, enquanto faz o polimento de um veículo. "Eu não gosto do meu trabalho, mas estou estudando e vou conseguir trabalhar como atriz numa novela, fazer comercial de televisão", diz ela, que é mãe de um menino de dois anos.

/ ROGER MARZOCHI

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