'Quem resiste a ir para os albergues tem problemas'

Vice-prefeita diz que não é por falta de vaga nos centros de acolhida que alguns sem-teto continuam nas ruas

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2012 | 03h01

Responsável até ontem pela pasta de Assistência Social, Alda Marco Antonio (que deixou o cargo para concorrer nas eleições municipais) afirma que o principal desafio da Prefeitura não é criar novas vagas, mas preencher as já existentes. Segundo ela, os centros de convivência são a porta de entrada.

Os centros de acolhida têm mais de 10 mil vagas. Mas só 7.713 pessoas estão abrigadas. Por que há esse número de vagas ociosas?

Quem resiste a ir para os abrigos hoje nas ruas de São Paulo não o faz por falta de vagas nem por falta de insistência dos agentes de proteção social que trabalham nas ruas, mas sim por problemas de dependência de álcool, drogas, saúde mental ou porque pratica atos ilícitos.

Qual é a estratégia para atrair essas pessoas ?

Insistir com os resistentes por meio do aparato de profissionais nas ruas fazendo abordagens e tentando encaminhá-los para a rede de serviços.

Os casais de moradores de rua dizem que ficam na rua porque albergues não têm vagas para homens e mulheres. A Prefeitura tem alguma alternativa para essas pessoas?

As vagas existem, mas há regras. Adultos são separados por sexo. As crianças ficam com as mães.

Os moradores de rua reclamam que é muito difícil conseguir vagas fixas nos albergues. Por que isso acontece?

Não é difícil obter vaga fixa. Para tanto o usuário deve provar a sua necessidade. Hoje, 80% das vagas são fixas, ou seja, o usuário pode chegar até as 20 horas no albergue que sua vaga estará garantida. As 20% restantes são para as emergências diárias.

A secretaria tem algum projeto para tentar diminuir essa vulnerabilidade dos que continuam nas ruas sofrendo todos os tipos de violência?

Nossa maior estratégia é fazê-los aceitar o serviço de abrigo. Nos albergues estarão protegidos da chuva, do frio e da violência das ruas.

Na mesma pesquisa, mais de 70% dos moradores de rua que vivem próximo da cracolândia dizem que a vida não mudou nada para eles com a operação policial. Para a senhora, qual é o saldo da operação?

Considerando o número de usuários que aceitaram tratamento, mais de 400, é muito positivo.

O que a Secretaria Municipal de Assistência Social faz depois de fornecer vaga em albergue para que os moradores de rua se reintegrem, com emprego, moradia e outras necessidades?

Faz um trabalho de aproximação com o usuário, tentando saber sua identidade e origem verdadeiras e os motivos pelos quais está em situação de rua. Também oferece ajuda na regularização de documentos, na busca familiares, no tratamento de saúde, na qualificação para o trabalho e na busca de emprego.

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