Quem paga pelo serviço ilegal é o cidadão

Eles passam antes da coleta oficial e levam tudo o que lhes parece aproveitável. À primeira vista, são caminhões da "reciclagem", confundidos com os veículos das cooperativas de catadores ou das empresas coletoras oficiais. Se pensarmos apenas na reciclagem, poderíamos considerar que seu trabalho é bom para o meio ambiente. É verdade que, sem eles, uma quantidade maior de materiais recicláveis seria desperdiçado. No entanto, um segundo olhar mostra que os benefícios são muito menores do que os problemas.

Análise: Ana Maria Domingues Luz, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2010 | 00h00

Eles coletam sacos com lixo misturado, em que os recicláveis vêm mesclados com papéis higiênicos usados, restos de alimentos deteriorados e outros elementos contaminantes. Quem trabalha para eles é obrigado a manipular todo tipo de imundície.

Para que o lucro do dono do negócio seja maximizado, os gastos com a operação precisam ser reduzidos ao máximo. Por isso, muitos utilizam mão de obra infantil ou quase escrava, bem barata, para fazer esse serviço.

Quem paga para que a sujeira que os morcegões deixam em qualquer lugar seja retirada é o cidadão que paga impostos. Sim, porque, como sua atividade é oficiosa, quase sempre clandestina, não há pagamento de impostos nem fiscalização adequada. Eles não pagam, mas você, sim.

Eles trabalham no vácuo deixado pela coleta seletiva ineficiente e insuficiente que temos em nossa cidade. Sua atuação retira o ganha-pão das mãos das cooperativas de catadores do Município. Vamos torcer para que a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos ajude a solucionar esses problemas.

É PRESIDENTE DO INSTITUTO GEA ÉTICA E MEIO AMBIENTE, ESPECIALIZADO EM GESTÃO DE RESÍDUOS, COOPERATIVAS E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

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