Quem ainda acredita em inauguração?

Quem ainda acredita em inauguração?

Substantivo feminino que o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa define como "cerimônia por meio da qual se entrega ao público uma nova obra", a palavra "inauguração" desponta no panorama político brasileiro como a primeira grande vítima das eleições 2010. Se depender dos candidatos que disputam a Presidência com maior chance, esse tipo de festividade formal estará desmoralizado até o início de abril, quando Dilma e Serra deixam seus cargos para inaugurar as respectivas campanhas, como se elas já não estivessem em marcha acelerada. Quem liga? Inauguração virou sinônimo embromation. Tudo mentirinha, me engana que eu gosto.

, O Estadao de S.Paulo

24 Março 2010 | 00h00

Maquete, obra inacabada ou sob suspeita, assinatura de contratos, pedra fundamental, inaugura-se ultimamente até o que já foi inaugurado ou ainda nem saiu do papel. Já é possível, inclusive, descerrar placas em série sem sair do gabinete. Só não inventaram a "vídeo-inauguração", com a tecnologia das conferências a distância, porque não tiveram a ideia antes. A coisa é tão descarada que tem eleitor decidido a votar no candidato que menos aparecer em inaugurações neste final de mês. Será que não percebem que está pegando mal, caramba?!

Ah, coitado!

A greve-geral na França logo depois da derrota de Nicolas Sarkozy nas urnas deu uma certa acalmada no casamento de Carla Bruni. Também, pudera! Se a primeira-dama pede divórcio agora, o presidente se joga da Pont d"Alma.

Substituto à altura

Lula pode até não ser o melhor nome para assumir a secretaria-geral da ONU em 2012, mas, para o lugar do Ban Ki-moon, convenhamos, qualquer um serve. O sul-coreano é um zero à esquerda total!

Espetáculo do crescimento

Cotado dia desses a R$ 1,80, o dólar vai, aos poucos, recuperando seu prestígio. Ontem, já tinha até carregador de mala de hotel cinco-estrelas em São Paulo aceitando de novo a moeda americana.

Viva o futebol moleque!

Jogadores do Santos querem que as semifinais e a final do Paulistão sejam disputadas sem tempo regulamentar, em "partidas de 6".

Sábio conselho!

Bernardinho e Ricardinho - quem diria! - fizeram as pazes, deixando sem graça muita gente que tomou partido de um ou de outro na época do corte do levantador pelo técnico da seleção brasileira de vôlei. Enfim, como diz o chanceler Celso Amorim, "em briga de jacu, inhambu não entra", né não?

Tribunal do povo

Pra não dizerem que não falei do inominável: queira Deus o júri popular em curso seja mais justo que o paredão do Big Brother no Brasil, cujo veredicto sempre livra a cara de quem não merece.

Aí tem!

José Serra deu agora pra dizer que está sem tempo para inaugurar obras. Discretamente, por ora, parentes do governador se perguntam que diabos ele faz fora de casa?

Tutty Vasques

escreve todos os dias no portal, de terça a sábado neste caderno

e aos domingos no Aliás

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