Queixa de falta d’água em São Paulo bate recorde em julho

Foram 75 reclamações feitas à agência reguladora por cortes de abastecimento da Sabesp na capital, índice mais alto desde 2013

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - O número de queixas de cortes no abastecimento de água na capital paulista não solucionados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) bateu recorde em julho, segundo relatório da Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp). Foram 75 reclamações de falta d’água prolongada na cidade registradas pelo órgão fiscalizador, maior índice desde 2013 e 134% superior a junho, que registrou 32 relatos. 

A Arsesp é considerada a segunda instância das reclamações do setor. Ou seja, ela só recebe as queixas depois que o problema não foi resolvido pela Sabesp dentro do prazo estipulado pela própria concessionária ao cliente. A partir daí, ela cobra explicações da empresa e o retorno do abastecimento de água ao usuário. Caso isso não ocorra, a estatal pode ser autuada e até multada.

As reclamações na capital representam 71% das 105 queixas de falta d’água registradas pela agência em 17 cidades operadas pela Sabesp no Estado, das quais 13, além da capital, ficam na Grande São Paulo. Desde o início do ano, a região tem sido a mais afetada pela seca no Sistema Cantareira, que abastecia, antes da crise, 47% da população. Nesta quarta-feira, o manancial estava com só 9,8% da capacidade.

Segundo pesquisa Ibope realizada entre os dias 29 de agosto e 1.º de setembro com 1.806 entrevistados, 50% dos moradores da cidade de São Paulo relataram ter sofrido interrupção no abastecimento de água em suas casas nos últimos três meses. Em todo o Estado, onde a Sabesp opera em 354 dos 645 municípios, 38% dos entrevistados relataram ao menos um corte de água na torneira.

Os dados da Arsesp mostram que as reclamações no Estado subiram 59% entre junho e julho, chegando a 105 manifestações, índice bem abaixo do pico de queixas registrado pela agência em janeiro (212), em pleno auge do verão e no início da crise do Cantareira.

Em nota, a Sabesp contestou os dados da Arsesp. Afirmou que “o número correto” de reclamações feitas à agência na capital, em julho, é 65. “Um número irrisório e uma flutuação absolutamente normal no sistema em um mês que foi de altas temperaturas, levando-se ainda em conta que o universo do qual estamos falando é de 11 milhões de pessoas”, afirma.

A estatal destacou que as queixas de falta d’água feitas pelos seus clientes caiu de 31 mil em junho para 26 mil em julho, “número inferior ao dos outros meses e que não é discrepante dos anos anteriores”, diz. Segundo ela, os cortes ocorrem por “problemas relacionados a obras, manutenção de tubulações, baixa pressão no sistema, faltas momentâneas de energia elétrica em estações de bombeamento, falhas no hidrômetro e até deficiências na rede interna dos próprios moradores”.

CPI. À Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal que investiga o contrato da Sabesp com a Prefeitura, o especialista em saneamento Wladimir Antônio Ribeiro disse nesta quarta-feira que o negócio fechado em 2010 está ilegal porque não prevê lucro à estatal e exige um Plano Municipal de Saneamento que inexiste. A Prefeitura nega e a Sabesp não se manifestou.

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