Queixa contra motorista de ônibus cresce

SAC da Prefeitura recebeu 12% de reclamações a mais no segundo trimestre deste ano

Bruno Ribeiro JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2010 | 00h00

As reclamações contra a conduta dos motoristas de ônibus vêm aumentando no Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) da Prefeitura de São Paulo, segundo o site SACSP (sacsp.mamulti.com), que fiscaliza o poder público.

Entre janeiro e março deste ano, a Prefeitura recebeu 15.044 reclamações sobre a conduta de motoristas e cobradores. Nos três meses seguintes, as queixas cresceram 12,17% (16.875). O item "conduta de trabalho" do SAC traz 27 sub-itens, que vão desde desrespeitar usuários a "ameaçar com arma".

A São Paulo Transporte (SPTrans) não comentou o levantamento. "Os dados contidos no site SACSP não são oficiais e, portanto, não podem ser levados em consideração", disse, em nota, sem apresentar os números que considera oficiais.

A nota informa ainda que, entre janeiro e setembro, a SPTrans aplicou 20.297 multas às empresas por falhas na conduta dos motoristas. O texto diz que, entre 2009 e 2010, as reclamações à Ouvidoria caíram 29%.

A Ouvidoria, que recebe reclamações não solucionadas pelo SAC, mostra aumento de 22% no item transporte público entre o primeiro e o segundo trimestre (de 118 para 144 reclamações).

Estresse. A reportagem acompanhou quatro linhas na semana passada. Na primeira viagem, da Linha 7020/21 (Terminal Pedro II/Pinheiros), presenciou um motorista que gritou e xingou o condutor de outro carro, buzinou seguidas vezes e ultrapassou um farol vermelho. Ele também não deu seta para mudar de faixa em nenhum momento.

Não faltaram relatos de passageiros insatisfeitos. "É muito comum não pararem quando a gente dá sinal", conta a estagiária de Direito Júlia Nakamura, de 26 anos, moradora de Perdizes, na zona oeste.

Entre os motoristas, também sobram reclamações. "Ninguém sabe falar com a gente, é só "patada". Então, dou patada também", disse um condutor na zona norte. Ele falou que a empresa oferece um curso de reciclagem profissional, mas que seria preciso uma jornada de trabalho menor e melhorias, como ar-condicionado para diminuir o estresse.

Outro condutor, ao ser questionado se estava estressado, estourou: "Estressado? Isso é pergunta que se faça? Eu não!", gritou. "É, acho que ando muito nervoso", brincou.

REAÇÕES

Tânia da Rocha,

Auxiliar de 44 anos

"Eu já dei sinal e o motorista não parou. E era de manhã, em um horário em que não estava lotado"

Ellen Aguiar

Engenheira de 31 anos

"Eles dão freada brusca, não param no ponto e param para falar com amigos"

Robson Cordeiro

Estudante de 27 anos

"Falta polidez por parte da população. A grosseria é uma forma de escudo dos motoristas"

Júlia Nakamura

Estagiária de 26 anos

"Eles não têm o menor respeito com gente idosa. A vovozinha mal sobe no ônibus e eles já arrancam"

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