Quedas ampliam risco nas estradas do litoral norte

Mesmo após reabertura da Rio-Santos e da Mogi-Bertioga, área é instável, segundo o DER; novas interdições não estão descartadas

TIAGO DANTAS, ENVIADO AO LITORAL NORTE, REGINALDO PUPO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

19 Março 2013 | 02h03

Chuvas e deslizamentos no litoral norte de São Paulo deixaram as rodovias em alerta. Embora todos os trechos tenham sido liberados, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) afirma que motoristas devem redobrar os cuidados na região. O diretor regional do órgão, Orlando Morgado Junior, diz que a área ainda é instável e pode haver mais interdições.

A Rodovia Rio-Santos foi aberta ao trânsito às 14h30 de ontem, depois de ficar 26 horas e meia interditada entre Maresias e Boiçucanga, em São Sebastião. O motivo foi a queda de 12 barreiras. O movimento de carros será ainda monitorado por fiscais. A Mogi-Bertioga foi liberada às 19h, depois de ficar fechada entre Bertioga e Biritiba-Mirim desde as 21h de anteontem.

Em São Sebastião, a enchente afetou 2 mil pessoas, deixou mil desabrigados e danificou nove pontes. Das 17h de domingo até a tarde de ontem havia chovido 243 mm, quase o previsto para o mês, segundo a Defesa Civil.

O governo do Estado liberou R$ 1,5 milhão ontem, após a cidade decretar calamidade pública. A verba será usada em obras de emergência. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a prefeitura de São Sebastião ofereceu dois terrenos para a Companhia de Desenvolvimento de Habitação e Urbano (CDHU) construir 300 moradias para famílias em áreas de risco.

A única rua que dá acesso à Vila Lobo Guará, em Camburi, está alagada e 114 famílias estão ilhadas. "Perdi tudo que havia sobrado da outra enchente", disse o coletor de lixo Thiago dos Santos Ferrari, de 25 anos. Ele se refere à enxurrada no fim de fevereiro que matou uma menina de 11 anos. "Já enfrentei cinco enchentes em cinco anos e essa foi bem pior", diz Ferrari, que mora com a mulher e duas crianças. Segundo a Defesa Civil, no domingo a água atingiu 2,47 metros no bairro.

Salva-vidas. Em Maresias, turistas usaram caiaque para sair de uma pousada. Em Camburi, funcionários de hotéis passaram o dia limpando piscinas e tirando a água dos cômodos. Quem não tinha como sair de casa foi resgatado por bombeiros e voluntários. O surfista Jefson Silva, de 25 anos, foi um deles. No domingo, pegou uma prancha em uma loja e, com um remo, ajudou a resgatar pelo menos 15 pessoas. "A gente ajudou a tirar uma idosa e um bebê de 8 meses de uma casa."

Em Caraguatatuba, 109 pessoas estão alojadas no Centro Esportivo do Morro do Algodão e estima-se que cerca de 200 moradores foram para casa de amigos e parentes.

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