Frank Caprio/AP photo
Frank Caprio/AP photo

Queda em circo nos EUA fere três brasileiras

Trapezistas eram suspensas pelos cabelos quando equipamento falhou, derrubando também outros seis artistas; jovens passaram por cirurgias

THAISE CONSTANCIO / RIO, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2014 | 02h02

Três trapezistas brasileiras ficaram feridas na manhã de anteontem após uma queda em uma apresentação circense em Rhode Island, nos Estados Unidos. Dayana Florentino e Widny Arce Neves, ambas de 25 anos, e Stefany Neves, de 19, foram operadas ontem em Providence, capital do Estado. Além das três brasileiras, outros seis artistas de diferentes nacionalidades ficaram feridos. Ninguém corre risco de morrer.

Na performance no circo Ringling Brothers and Barnum & Bailey, apresentada desde janeiro deste ano, oito trapezistas ficam penduradas pelo cabelo, formando uma espécie de candelabro. Na apresentação de anteontem, a estrutura se rompeu. As artistas caíram de uma altura entre 7 e 12 metros e atingiram um dançarino. As vítimas foram levadas para o Hospital de Rhode Island. Na noite de ontem haviam oito internados - dois em estado crítico, dois graves e quatro em boa condição, mas o hospital não informou quais eram.

Dayana, que trabalha no circo há pelo menos sete anos, passou por uma cirurgia na coluna na madrugada de ontem e já movimenta os dedos dos pés. Ela também sofreu uma fratura exposta na mão, mas esse ferimento ainda não foi operado.

Segundo Gustavo Torres, primo da trapezista, os pais dela, Elisabete Florentino e Roberto Costa, chegaram aos Estados Unidos na manhã de ontem. A irmã de Dayana, Luana Costa, que trabalhou no circo até 2012 e hoje mora no Texas, também seguiu para Rhode Island. "Ela tem sido mantida sedada para aliviar as dores. Tenho certeza de que ficará bem. O circo é a vida dela", disse Torres.

Pelo Facebook, os pais de Widny repassam informações aos amigos e parentes sobre a jovem. "Apesar da gravidade, ela está bem e as outras sete meninas também", escreveu o pai, Roiter Neves. Com fraturas na coluna, no pescoço, no ombro e no braço, Widny recebeu uma placa de platina no braço. A mãe, Griselda, aguarda uma passagem de avião para os EUA que será enviada pelo circo.

Formada em Educação Física, Widny, que pertence a uma família de artistas circenses, trabalha no circo americano há cinco anos. Os tios trabalham no mesmo circo, onde o pai também já se apresentou.

Mais nova entre as brasileiras, Stefany estava na "ponta" do candelabro. Ela caiu em pé e fraturou os calcanhares e o fêmur e teve o fígado perfurado por uma costela. A trapezista operou o fêmur e o fígado para conter uma hemorragia interna. Ontem à noite, a mãe e o irmão, Eliane e Rodrigo Neves, seguiram para Rhode Island.

A irmã mais velha, Renata Bezerra, conversou com a trapezista por telefone e disse que a artista aparentava calma. "Ela passou a noite sedada. Não lembra de tudo (sobre o acidente), mas está consciente. A voz dela estava calma e tranquila, talvez pelo efeito dos medicamentos." Renata disse que o circo tem prestado assistência às famílias e repassado informações sobre o estado de saúde das artistas.

Circo. O acidente está sendo investigado. "Um mosquetão falhou, mas ainda não sabemos o motivo", informa o circo, em nota. A empresa vai substituir todos os mosquetões antes da próxima apresentação.

Os espetáculos restantes em Providence foram cancelados. As apresentações serão retomadas hoje, em Connecticut. A performance na qual artistas ficam penduradas pelos cabelos foi suspensa até que seja concluída uma revisão de segurança.

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