Queda de monomotor deixa um morto e um ferido em Ribeirão

Acidente aconteceu durante aula de voo no aeroclube da cidade; polícia acredita que queda foi fatalidade

Brás Henrique, de O Estado de S.Paulo, e Fabiana Marchezi, Central de Notícias,

16 de setembro de 2009 | 12h07

 

Monomotor caiu em um canavial enquanto fazia treinamento no interior. Foto: Célio Messias/AE

 

RIBEIRÃO PRETO - A queda de um monomotor provocou uma morte e deixou outra pessoa ferida na manhã desta quarta-feira, 16, durante uma aula no Aeródromo Santa Lydia, na zona rural de Ribeirão Preto, interior paulista, às margens da Rodovia Mário Donegá. A Polícia Civil investiga o acidente, que teria ocorrido numa manobra de treinamento.

 

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A aeronave modelo Bravo (prefixo PU-MYL), classificado na categoria ultraleve (experimental), caiu numa pista a dois quilômetros da Rodovia Mario Donegá, que foi interditada para perícia no período da manhã. No início da tarde, os destroços do avião foram recolhidos ao hangar da fazenda.

 

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o acidente aconteceu por volta das 9 horas, quando o piloto preparava o avião para o pouso e perdeu o controle da aeronave, que bateu em um barranco e caiu. O instrutor Nilson Rogério Luzenti, de 41 anos, morreu no local e o aluno Paulo César Siena, de 52 anos, passou por cirurgia de cabeça e pescoço e avaliação neurológica antes de ser levado para o Centro de Terapia Intensiva (CTI), do Hospital São Lucas.

 

O delegado do 6.º Distrito Policial, Carlos Henrique Araújo Garcia, acredita que o acidente foi uma "fatalidade", mas que todos os detalhes serão analisados. A manobra de treinamento pode ter sofrido desestabilização por vento lateral ou traseira. Na queda, o avião bateu no canavial recém-plantado e depois no barranco, que fica ao lado da pista. A colisão com o barranco causou o capotamento da aeronave, destruindo a célula de sobrevivência. Se não existisse o barranco ali, a aeronave chegaria normalmente na pista.

 

O dono do aeródromo, José Paulo Garcia, de 54 anos, foi avisado pelo pedreiro que estava no hangar da fazenda que um avião tinha caído. Garcia chegou ao local do acidente, a menos de 200 metros do hangar, e não havia o que fazer naquele instante, pois vazava gasolina e qualquer ação poderia provocar um incêndio. Luzenti já estava morto e Siena, atordoado com o impacto, chegou a perguntar, 20 minutos depois, o que tinha ocorrido. O Corpo de Bombeiros foi acionado para tirar as vítimas das ferragens.

 

Luzenti e Siena tinham saído do Aeroclube de Ribeirão Preto, instalado ao lado do Aeroporto Leite Lopes, pouco antes, para aula de instrução de voo. Na pista da fazenda, que tem 600 metros e é uma base de cinco aviões agrícolas da região, os alunos fazem manobras (arremetidas e simulações de panes) em treinamentos, assim como em pistas de usinas. Garcia é dono do aeródromo há 15 anos e disse que esse foi o primeiro acidente no local.

 

Garcia lamentou a perda do amigo Luzenti e até acreditou que a vítima fosse o sócio dele, Paulo Madeira. Ambos eram sócios da escola de ultraleves Free Wings há pelo menos quatro anos, segundo o presidente do Aeroclube de Ribeirão Preto, Olivo Lofiego Júnior. Luzenti e Madeira tinham duas aeronaves e eram instrutores credenciados para cursos de pilotagem desportiva e recreativa, como no caso desse tipo de ultraleve. Siena teria procurado o curso em Ribeirão Preto devido ao preço, mais atrativo do que o praticado na região de Campinas.

 

Garcia enfatizou que essas aeronaves são inspecionadas anualmente. "Mas o voo é por conta e risco de quem está lá dentro", lembrou ele. O delegado Carlos Garcia aguarda o resultado da perícia para continuar a investigar o acidente e verificar a causa e se houve falha humana. Como não havia registro da aeronave na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o caso ficará restrito à Polícia Civil de Ribeirão Preto.

 

Atualizado às 15h45 para acréscimo de informações.

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