Queda de helicóptero mata acusado de chacina

Acidente em Goiás deixa 8 mortos, entre eles 3 delegados e 2 peritos; equipe voltava de fazenda onde 7 foram degolados, em Doverlândia

RUBENS SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO , GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2012 | 03h03

O esforço da Polícia Civil de Goiás para desvendar a chacina de Doverlândia acabou em tragédia. O helicóptero que participava da segunda reconstituição do crime, ocorrido há 11 dias, caiu e matou todos os oito ocupantes, incluindo o principal suspeito dos homicídios em série, Aparecido Souza Alves.

Entre os mortos estão os delegados Jorge Moreira da Silva e Antônio Gonçalves Pereira dos Santos, de Goiânia, e Vinicius Batista da Silva, de Iporá. O helicóptero estava a cargo do comandante Osvalmir Carrasco Melati Júnior e do piloto Bruno Rosa Carneiro. Dois peritos estavam a bordo: Marcel de Paula Oliveira, de Quirinópolis, e Fabiano de Paula Silva, de Iporá.

O helicóptero Koala AW 119K (prefixo PP-CGO), fabricado pela empresa americana Augusta Westland, caiu por volta das 16h30 em um local de difícil acesso em uma fazenda em Piranhas, a 325 km de Goiânia. Testemunhas disseram ter visto o aparelho girando sobre o próprio eixo antes de cair. O delegado Diogo Rincon, de Piranhas, disse que quando chegou ainda saía fumaça do helicóptero.

O secretário de Segurança Pública do Estado, João Furtado, informou que a aeronave passou por revisão recente e foi liberada ontem. As autoridades ainda desconhecem as causas do acidente. Especula-se, no entanto, que uma pane levou a uma tentativa de pouso forçado.

A delegada Adriana Accorsi, que lidera as investigações sobre a chacina, não estava a bordo. Ela desistiu da viagem anteontem à noite. Mesmo assim, sua equipe foi para o local do crime, a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Doverlândia, pela manhã. No momento do acidente, o grupo voltava para Goiânia.

O governador Marconi Perillo (PSDB) decretou três dias de luto oficial. Em nota, afirmou lamentar profundamente a morte dos delegados e servidores.

Crime. A chacina foi no dia 28 de abril. Foram degolados Lázaro de Oliveira Costa, de 57 anos, dono da fazenda e ex-presidente do Sindicato Rural de Doverlândia; Leopoldo Rocha Costa, de 22, filho do fazendeiro; Heli Francisco da Silva, de 44, vaqueiro da fazenda; Joaquim Manoel Carneiro, de 61 anos, amigo de Lázaro; Miraci Alves de Oliveira, de 65, mulher de Joaquim; Adriano Alves Carneiro, de 24, filho do casal; e Tâmis Marques Mendes da Silva, de 24, noiva de Adriano.

Alves confessou o crime, mas deu versões conflitantes sobre a motivação. Para a polícia não estava claro se ele teve o auxílio de comparsas.

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