Queda de árvore destrói carro ou casa todos os dias

Em três meses, 50 edificações e 35 automóveis foram danificados; Prefeitura diz que fez 55 mil intervenções a mais que o solicitado

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

25 Março 2012 | 03h05

Quase todos os dias uma pessoa tem a casa ou o carro atingido por queda de árvores na cidade de São Paulo durante o período chuvoso. Do começo da Operação Chuvas Intensas dos Bombeiros, em 1.º dezembro, até 5 de março, foram 50 edificações e 35 automóveis danificados. Entre as vítimas do prejuízo, é comum ouvir a mesma história: que o acidente aconteceu meses ou até anos depois de a Prefeitura ter sido avisada que as árvores cairiam a qualquer momento.

Ao todo, houve 664 quedas de árvores desde dezembro. Moradores de bairros arborizados, como Pacaembu e Aclimação, na região central, e Jardins e Vila Mariana, na zona sul, são os que mais sofrem com o problema.

Há mais de um ano, a administradora Vera Dorsa, de 51 anos, desconfiava que a árvore enorme na frente de sua casa, no Jardim Europa, estava para cair. Por isso, ela telefonou duas vezes para a Prefeitura fazer a poda. "Liguei em janeiro e em outubro, para reforçar. Esperaram cair para fazer alguma coisa." No dia 23 de janeiro, não deu outra: o tronco atravessou a Rua Bélgica, destruindo parte da entrada da casa de Vera e esmagando um carro. Após o episódio, funcionários da Prefeitura foram até o local e plantaram uma mudinha na frente da casa.

A jornalista Maria Luísa Rocha Ferreira de Mendonça, de 47 anos, resolveu processar a administração municipal após ter sua casa atingida por uma árvore do Parque da Aclimação, na região central, há sete anos. Venceu em segunda instância, em dezembro de 2011, mas ainda não recebeu os R$ 7 mil exigidos. A Prefeitura estuda se vai recorrer novamente da decisão.

Maria Luísa conta que, uma semana antes do acidente, parte da grande árvore já havia caído durante uma chuva. Diante do problema, a vizinhança cobrou providências da administração municipal, mas nada foi feito. "A árvore que caiu era tão grande que cobriu a casa toda. Meu filho era pequeno na época, um galho entrou no quarto onde ele estava dormindo." O advogado de Maria Luísa, Ricardo Liaugaudas, diz que nesse tipo de processo o Município costuma alegar que a culpa das quedas é das chuvas e do vento, não do poder público. "Mas nesse caso foi provado que a árvore estava cheia de cupim e houve falta de manutenção."

A advogada Renata Franco, especializada em Direito Ambiental, afirma que é melhor prevenir o prejuízo do que esperar vários anos para receber o dinheiro por meio de uma ação judicial. Caso a administração não realize o procedimento, é possível pedir uma poda de emergência para os bombeiros. "Caso isso não seja feito, é possível entrar com um pedido de liminar."

Manutenção. O chefe da assessoria de obras da Secretaria Municipal da Coordenação das Subprefeituras, Marcelo Bruni, rebate as críticas e diz que a Prefeitura faz manutenção nas árvores. "Foram 63 mil solicitações contra 118 mil operações em 2011. A gente fez 55 mil intervenções a mais", afirma Bruni.

Ele alega que, em várias ocasiões, a população sequer percebe que a árvore passou por manutenção e acha que nada foi feito. Outras vezes, diz ele, chama a Prefeitura por motivos fúteis. "Fazemos cerimônia para podar, para remover uma árvore", diz o chefe da assessoria de obras. "Há munícipe que pede para remover porque cai folha, porque faz sombra ou gato sobe e pula para dentro da casa dele."

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