'Quebramos recordes de visto a cada dia'

ENTREVISTA

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2010 | 00h00

Thomas Kelly,

CÔNSUL-GERAL DOS ESTADOS UNIDOS EM SÃO PAULO

Há três meses no cargo, o cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Thomas Kelly, de 48 anos, quer facilitar a ida de turistas e estudantes brasileiros para aquele país. Ao Estado, ele, que é economista, afirmou que os visitantes brasileiros são importantes para a economia americana. Nesta semana, o governo americano anunciou novo pacote de estímulo à economia. Nos próximos três anos, Kelly quer acelerar a emissão de vistos - hoje a espera é de três meses para agendar visita na capital.

Quais são seus projetos para o consulado em São Paulo?

Há dois importantes. O primeiro é acelerar o serviço na seção consular. O segundo é aumentar o contato pessoa-pessoa entre brasileiros e americanos. Por exemplo: estimamos que 9 mil brasileiros estudem nas universidades americanas. Podemos aumentar esse número, explicando melhor quais são os trâmites e os programas de ajuda financeira. E aumentar o número de americanos estudando no Brasil.

O que precisa ser feito para diminuir as esperas?

O ponto de partida dessa questão é que a demanda brasileira cresce de forma impressionante. Quebramos recordes a cada dia. No último dia 3, o consulado fez 2.169 entrevistas em um só dia. Nós temos um desafio constante de aprimorar nosso serviço. É um problema do sucesso. Há milhões de brasileiros que têm dinheiro para viajar para o exterior. Pessoas que estão entrando na classe C, na classe B. Sorte nossa que tantos brasileiros queiram viajar para os Estados Unidos.

Que medidas poderiam ser tomadas?

Estamos tentando agilizar os trâmites. Por exemplo, o consulado estuda a possibilidade de fazer o pagamento online das taxas de solicitação (paga atualmente em agências Citibank) e do Sedex (paga no consulado). Em 2010, aumentamos o número de cônsules de 13 para 18. Além disso, Washington enviou três pessoas para ajudar a processar os vistos. Duas chegaram em junho e ficaram por um mês, a outra chegou em agosto.

A crise econômica que os EUA ainda vivem e acaba de ser tema das recentes eleições no país dificulta o pedido de verbas para o consulado?

Vamos continuar pedindo os recursos que precisamos, recordando que os brasileiros que estão viajando para os EUA estão gastando lá. Essas visitas são muito importantes para a nossa economia. Esse argumento é correto e todos concordam, republicamos e democratas.

Tem algo da experiência de outros países que traz aqui para o Brasil. O problema dos vistos por exemplo?

A questão dos vistos é significativa em quase todo o mundo. Trabalhei em países como El Salvador, Chile, Argentina e na Europa. O novo para mim é a demanda tão forte aqui. O Consulado americano em São Paulo faz mais vistos que qualquer outro consulado americano. Somos o número 1.

O que os brasileiros poderiam fazer para melhorar a dinâmica?

Eu diria que os brasileiros já estão fazendo o correto porque 95% recebem o visto. Pela lei americana, a coisa mais importante é o solicitante mostrar os vínculos com o país de origem, no caso o Brasil.

Como é o trabalho do consulado com os americanos no Brasil?

Um de nossos trabalhos mais importantes é ajudar americanos que moram no Brasil. Atualmente, cerca de 22 mil cidadãos americanos estão registrados no distrito consular de São Paulo. É muito menor que a comunidade japonesa, libanesa, mas é uma comunidade importante, influente. Muitos trabalham em companhias americanas, antigas ou novas, como o Google, por exemplo.

Qual o balanço da unificação dos formulários em um, que aparentemente não teve grande impacto na redução de esperas?

O formulário DS-160 entrou em vigor no dia 5 de abril de 2010. A mudança no tempo de espera dos solicitantes ainda não é significativa porque muitas pessoas têm colocado informações erradas no formulário (como, por exemplo, selecionar Brasília em vez de São Paulo).

Como vê a relação que existe entre EUA e Brasil hoje?

É a mesma que os EUA têm com potências tradicionais como Inglaterra, Japão e Alemanha. Não falamos somente de assuntos bilaterais, mas de todo um mundo, porque o Brasil se tornou um "player" global.

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