Que tal virar fazendeiro por uns dias?

Por diárias que vão de R$ 200 a R$ 1 mil, interessado pode usufruir de fazendas históricas perto da capital e levar parentes e amigos

JOSÉ MARIA TOMAZELA, ITU (SP), O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2011 | 03h06

Quem já sonhou ser o feliz proprietário de uma fazenda no interior pode se animar. Pelo menos por um dia, é possível transformar o desejo em realidade, em Itu, a 98 km de São Paulo. Donos de cinco propriedades históricas do município decidiram abrir as casas-sede aos interessados em morar ali por um período, com tudo o que tem dentro, até obras de arte e mobiliário de época.

São casarões dos séculos 18 e 19 construídos por bandeirantes ou que pertenceram aos barões do café, a nata da sociedade paulista da época. Por diárias que variam de R$ 200 a R$ 1 mil, o interessado pode levar a família, convidados e usufruir de uma estrutura que inclui, além de fogões a lenha e da culinária caipira, piscinas, churrasqueiras e quadras de tênis.

A iniciativa é do presidente da Câmara Setorial de Turismo Rural da Secretaria de Agricultura do Estado, João Pacheco Neto, um dos proprietários da Fazenda Rosário. Ele já recebe turistas para cavalgadas e serestas ao luar, mas decidiu ir além. "Moro com a família em um casarão de taipa de 250 anos, um exemplar único, cheio de história. Achei que podia dividir esse privilégio com mais gente." Pacheco procurou outros donos de outras fazendas antigas da região e mais quatro aderiram ao plano.

Durante a permanência, os visitantes não interferem nas atividades produtivas da propriedade, como lavouras e criação de gado, mas podem acompanhar a lida no campo. Em algumas fazendas, como a Pirahy, o dono entrega as chaves e o visitante assume a casa com tudo dentro. O casarão bandeirista do século 18 tem três tipos de taipa: de mão, de pilão e de pau a pique. O salão principal impressiona pela riqueza do mobiliário. As suítes preservam as alcovas, mas oferecem o conforto de um resort.

A administradora de empresas Ana Carolina Amaral escolheu a Fazenda Monte Belo para descansar no fim de semana com os filhos Guilherme e Frederico. Ela morava na capital e se mudou para Itu há oito anos.

Para não se preocupar com a cozinha e poder se espreguiçar nos sofás de mais de um século, Ana Carolina contratou por R$ 60 os serviços da cozinheira da casa, Maria Veridiana, a Vera, especialista em culinária caipira.

Tradição. Quem quiser ser "dono" da Fazenda Concórdia pode optar pela permanência do proprietário, Francisco Nunes Neto. Exímio contador de "causos", ele prepara costela em fogo de chão e arroz de carreteiro no fogão à lenha, que mantém sempre em brasa. O casarão, de telhas moldadas nas coxas de escravos, teve origem em uma casa de sapé do fim do século 16.

Outra fazenda, a Limoeiro da Concórdia tem ainda uma capela em que, semanalmente, são celebradas missas de violeiros. "Eles cantam o verso trovado, o legítimo cururu paulista", diz o proprietário, Clemente Nunes.

Patrimônio. As propriedades, localizadas no bairro do Pedregulho, são próximas entre si, o que permite aos "donos de um dia" o intercâmbio de atrações. "Quem está na Pirahy, por exemplo, pode vir cavalgar aqui, enquanto o meu hóspede pode ir para uma roda de viola na Concórdia", diz Pacheco. Ele acredita que a iniciativa deve ajudar os donos de fazendas a investir na conservação dos imóveis. "É um patrimônio do povo paulista."

Pacheco espera convencer outros proprietários a aderir à iniciativa. Só em Itu há 15 casas-sede com mais de cem anos - pelo menos três estão abandonadas.

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